Ines fez a defesa de tese de doutoramento ontem, e passou! A palestra dela foi muito boa, apesar de que eu e vários dos nossos amigos não termos entendido nada. Eu e o Carlos ainda conseguimos entender uma frase ou duas, mas a Marie-Laure e a Ana Catarina não devem ter entendido sequer uma palavra. O trabalho dela é em Teoria de Cordas, também chamada de “teoria de tudo”, porque é a teoria que unifica todas as teorias da física e explica tudo – com certeza é a matéria mais avançada e mais difícil que existe. E agora a “Doutora Ines” é reconhecida como uma especialista no assunto. Estamos todos muito orgulhosos!
Saturday, April 25, 2009
Coimbra
Semana passada eu fui a Coimbra (Portugal) dar uma palestra na Universidade. Estava “concorrendo” para uma posição de post-doc lá, e fui convidado para dar uma palestra e assim poder conhecer o grupo. O grupo é parte do LIP, um instituto de pesquisas situado na Universidade Coimbra. A palestra e a visita correram bem, e o grupo pareceu muito bom. Me ofereceram o emprego e eu já aceitei. Parece que vou mesmo para Portugal!
O emprego começa em setembro. Apesar de não ganhar muito (relativo ao que ganharia nos EUA), a Inês insiste que o custo de vida em Portugal também não é alto, e portanto vamos estar bem. A única chatice é que o post-doc dela é em Lisboa, e eu vou estar em Coimbra, a 1 hora e meia de distância. Mas considerando como é difícil coordenar dois físicos em campos muito especializados, já somos sortudos em ter ficado no mesmo país, e em cidades boas. Quer dizer, ainda não conheço a cidade de Coimbra, mas sei que Lisboa é boa sim. Não é tão bonita quanto o Porto, mas enfim…
Se estiverem interessados em ver minha palestra, podem vê-la na página de palestras do LUX: http://lux.brown.edu/talks.html
Monday, April 06, 2009
Terremoto em L’Aquila e Paganica
Ontem a noite houve um terremoto na área de L’Aquila, afetando também o laboratório de Gran Sasso (onde o nosso experimento XENON10 estava localizado) e Paganica (a vila onde moramos durante XENON10, em 2006). Foi um terremoto de magnitude 6.3, e mais de 200 pessoas morreram.
NY Times - Earthquake in Italy
Nossos colegas que fazem parte do XENON100 ainda estão lá, e ainda não temos certeza de como foram afetados. O laboratório ficará fechado por uns dias, e várias casas foram destruídas (quase todos as casas alugads pelo XENON100 foram condenadas). Pelos emails que temos recebidos, parece que todo mundo do XENON100 está bem. O Alfredo, que é Italiano e original de Paganica, teve a perna machucada quando a casa dele desabou, mas parece que não foi grave. Espero que a família dele esteja bem também.
Wednesday, January 28, 2009
Santa Luzia do Parua
Depois do primeiro fim-de-semana em São Luís, eu e Ines fomos para Santa Luzia do Paruá, onde minha mãe mora com o Zé Rubem na fazenda dela, a Fazenda Paraíso. Ela trabalha como pediatra em Santa Luzia, e o Ze Rubem cuida das fazendas (são fazendas de vacas leiteiras). Mamãe tinha ido para São Luís para me receber, e na segunda-feira de madrugada voltou para Santa Luzia. Na terça-feira eu, Ines, vovó e vovô fomos também, mas a viagem foi um pouco complicada – quando estávamos perto de chegar, a gente recebeu notícia que a minha tia Marla tinha tido um ataque de enxaquecas, tinha ido ao hospital, e que talvez tivesse um AVC (aneurismo?). Felizmente, no fim foi alarme falso, e continuamos a viagem.
Eu tinha dito pra Ines que uns dias na fazenda da minha mãe iria ser muito tranqüilo, uma chance para relaxar, já que lá não tinha nada pra fazer, no bom sentido – não tínhamos nenhum trabalho, não havia a correria do dia-a-dia... Infelizmente, não foi bem assim. Começava com os bichos às 6 da manhã berrando de fome, exigindo comida. Eram os cachorros, os passarinhos, as vacas mugindo de longe, mas principalmente os papagaios, que faziam uma algazarra e não se calavam até estarem de barriga cheia. Depois eram as moscas, que não nos deixavam voltar a dormir, com um zumbido constante em volta da cabeça. A gente dormia completamente coberto com um lençol para evitar que elas pousassem na gente. Houve uma invasão de moscas na fazenda que durou vários dias, e cobriu a casa toda de pontos pretos. Na hora da refeição então era um saco, tentando arranjar os ventiladores em melhor posição possível para espantar as moscas, e ainda assim ficar a refeição inteira abanando tudo. Dava vontade de fugir da casa, ir andar pelo mato, ir pra Santa Luzia, qualquer lugar longe das moscas. Mas infelizmente a gente passava a maior parte do tempo com as moscas mesmo.
Havia na fazenda um currupião, um pássaro amarelo e preto, bonito, e muito manso – adorava pousar na cabeça das pessoas, e deixava a gente pegar nele sem reclamar. Mas o mais interessante foi o que eu aprendi: que o canto dele é o hino nacional brasileiro. Quer dizer, o hino foi baseado no canto dele – e não apenas uma idéia, ou umas notas, foram dois versos inteiros. Ele canta exatamente como a gente assobia o hino. Se duvidarem, vejam no YouTube.
Na quinta feira, minha irmã também veio para a fazenda com o Rafael e as meninas, Luana (4 anos) e Sofia (quase 1), e aí definitivamente acabou o sossego. Ainda haviam uns poucos momentos de paz, logo após o almoço, quando a Ines, o Zé Rubem, Rafael e vovô desmaiavam nas redes. Mas o dia me parecia mais uma série de “batalhas”: começava com a batalha do café da manhã, com os preparativos, colocar a mesa, a afobação com a comida, a refeição em si, a luta contra as moscas, a limpeza, a arrumação. Logo depois era a batalha do almoço, dar comida pras meninas, mais moscas, mais afobação com a comida (parecia que tinha gente passando fome), uma correria. Depois da “sesta”, começava a batalha da tarde para sairmos de casa, que levava em média umas 4 horas para arrumar as meninas pra sair: o lanche de uma, banhar a outra, dar lanche pra segunda, banhar, jantar, mamar, cochilo, banhar de novo, até que finalmente estavam as duas prontas pra sair.
No fim do dia as coisas se aquietavam, com todo mundo sentado em frente da televisão vendo a novela das 8, que pelo visto era um vício. Ze Rubem e vovô se recusavam a perder um capítulo sequer da novela. Na quinta-feira houve uma cerimônia na câmara municipal para honrar o Zé Rubem (e mais 4 pessoas) como Cidadão de Santa Luzia do Paruá. Como era ocasião especial, a gente ia ficar para jantar na cidade, mas vovô vetou a idéia – queria voltar pra fazenda para ver a novela. Chegou ao ponto que eles deixaram de sair várias vezes para poder ver a novela. Mas o que foi engraçado mesmo é que não eram só eles – em todo o lado (e em Barreirinhas na semana seguinte), era tudo muito vazio nessa hora – estava todo mundo em casa vendo a novela. Uma vez em Barreirinhas, eu e a Ines entramos numa sorveteria (mamãe e Zé Rubem ficaram no hotel vendo a novela) e estava todo mundo grudado na televisão. Felizmente deu intervalo logo e nos atenderam.
Contaram-me que Santa Luzia tinha crescido um bocado desde a última vez que estive lá, há dois anos. Eu não percebi, mas é possível que seja porque eu não tivesse prestado atenção. Mas uma coisa a qual prestei atenção sim foi que há dois anos eu tinha ido a um lugar com Net na rodoviária; desta vez havia 3 lugares, e que agora se chamam “lan house”. E também notamos que havia uma proliferação de lojas de roupa – haviam muitas em volta da avenida principal (a BR). Até a Jailma, uma menina amiga de mamãe, tinha uma loja de roupas que era parada diária no programa da família.
No domingo todo mundo foi embora, e logo depois as moscas morreram com um veneno novo. Paz! Finalmente deu para relaxar um pouco e explorar a fazenda. Mamãe e Zé Rubem compraram este ano uma fazenda nova de 200 hectares, a Dois, perto da outra fazenda de mamãe. A gente foi conhecer a fazenda a cavalo – eu e Ines a cavalo (só haviam dois), mamãe e Zé Rubem caminhando atrás. Infelizmente, a Ines conseguiu cair do cavalo! Na verdade, foi culpa do cavalo, que tropeçou e acabou jogando a Ines pra frente, que deu uma volta e caiu de costas no chão. Felizmente, não machucou muito, e no dia seguinte ela já estava bem o suficiente pra cair de moto. Dessa vez foi lerdeza dela mesmo. Era a primeira vez dela andando de moto. Quando ela foi tentar ligar a moto, ela não agüentou com o peso, e a moto caiu pro lado com ela, bem numa poça de lama, o que foi bom, já que lhe amorteceu a queda. Mas apesar dos acidentes, ela mostrou coragem e aprendeu a andar de moto, e no dia seguinte já estava no cavalo novamente. Desta vez ela pegou o cavalo maior, e melhor – o que tropeçava sobrou pra mim. A gente ainda passeou bastante, e a fazenda nova é muito bonita, muito verde, com morros e riachos. A Xuxa, a cadelinha da fazenda (pequena mesmo, só tinha um palmo de altura, dois de comprimento), seguiu a gente o dia todo. A gente andava no mato alto e ela disaparecia, e de repente ela decidia sair correndo e dando saltos enormes (parecia um coelho), perseguindo as vacas – estava a se divertir muito. Mas a maior loucura foi no fim do dia. Depois do passeio, o Zé Rubem voltou pra casa com os cavalos, a Ines foi no carro com mamãe, e eu levei a moto. E a Xuxa decidiu vir comigo – correndo! Nós estávamos a correr entre 35 e 40 km/h, e ela não apenas me acompanhava, ela me passava, pulava, atravessava o caminho... Por mais de um quilometro. Apesar da nossa preocupação, parecia que para ela isso não foi nada – ainda estava muito brincalhona em casa, apesar de estar morta de sede.
No dia seguinte voltamos para São Luís, para passar o natal com a família. Depois eu conto o resto!
Para ver as fotos desta viagem, clique aqui no na foto acima.
Saturday, January 17, 2009
O Rio de Janeiro Continua Lindo (2)
Eu acabei de voltar da viagem de férias para o Brasil. Eu fui com a Inês no começo de Dezembro; eu fiquei 4 semanas, e ela ficou 3 (ela tinha que voltar logo antes do Ano Novo, para trabalhar). Meu orientador tinha insistido que eu só ficasse no máximo 4 semanas. Assim que cheguei fui para o laboratório, para demonstrar que não tinha ficado no Brasil mais do que as 4 semanas. Mas chegando lá, a reação dos meus colegas foi de "já?!" - pensavam que eu só voltava mais tarde, lá para o dia 10. Quando falamos com o meu orientador, a reação dele também foi de "já?!" - pelo visto o pessoal está acostumado comigo me atrasando com a volta, ou voltando ao lab depois do que eu tinha dito quando era a viagem. E pelo visto podia ter ficado um pouco mais no Brasil sem ninguém aqui notar.
Durante essa viagem, eu ia ter que renovar o meu visto para os EUA, o que adicionou um bocado de complicações ao planejamento. As viagens já estavam bem caras - a maioria dos dias estava a quase U$3000, mas com muita paciência (principalmente da Inês) dava para achar passagens na faixa dos U$1500. Começamos a procurar passagens para as cidades com consulados americanos (Recife, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro), mas estavam todas caríssimas (>R$1000 ida e volta, por pessoa), e também a gente perdia muito tempo com isso. Tivemos a idéia de parar numa dessas cidades na viagem de ida - e como o Rio de Janeiro era o lugar mais interessante, resolvemos ir por lá. São Paulo era ligeiramente mais barato, mas como a cidade é muito feia e ambos já estivemos lá, resolvemos que valia pagar um pouco a mais. Assim a gente marcou uma tarde e um dia no Rio, com uma manhã para resolver a renovação do visto. Meu avô é assinante de um programa chamado Montreal, no qual ela paga um valor todo mês e ganha um certo número de diárias em hotéis no Brasil inteiro. Ele me deu duas diárias em um hotel na praia de Copacabana, o Debret, na Av. Atlântica, bem de frente para a praia. O pessoal do hotel foi muito simpático, e nos ajudou a navegar a cidade (qual ônibus pegar, aonde ir de noite, etc...).
A viagem de ida para o Brasil foi um pouco contubarda - foi a viagem do "quase". Quase tudo deu errado, mas incrivelmente deu tudo certo. Começou em Providence. A gente tinha que pegar um ônibus para Boston, onde iríamos pegar nosso avião. A gente chegou na estação de ônibus em cima da hora – a Inês foi correndo para o ônibus para pedir que nos esperassem, enquanto eu e o Michael (que ia levar o carro de volta pra casa) descarregávamos as malas. A gente carregou as malas no ônibus, e a inês comprou as passagens, e estava tudo certo, quando eu e a Ines voltamos pro carro só para pegar nossas mochilas e nos despedir do Michael, e o onibus começa a partir sem a gente! Lá vamos nós correndo atrás do onibus, abanando os braços e gritando para ele nos esperar. Felizmente ele não tinha andado muito ainda. O maior problema, entretanto, foi no aeroporto em Boston. Graças a uma tempestade entre Boston e Washington (nosso próximo destino), o avião que vinha de Washington e voltaria para lá está atrasado, e de acordo com a previsão provavelmente chegaríamos atrasados e perderíamos o vôo para o Rio. Se perdessemos o vôo, a gente ia ter que passar a noite em Washington, esperando pelo próximo vôo, 24 horas depois. Como era por causa do tempo, a United Airlines se recusava a ter responsabilidade por qualquer coisa – nem podiam pedir para o vôo para o Rio esperar, nem como iriam pagar hotel em Washington. Mas o pior mesmo é que se eu perdesse esse vôo, eu perdia a hora no consulado americano, e não ia poder renovar o visto – iria ter que viajar pra lá de novo depois, perdendo mais um monte de tempo e dinheiro, sem falar no dia já perdido no Rio a tôa. A gente reclamou bastante, argumentou que como eram várias pessoas no nosso vôo que também iam pro Rio (umas 8) eles deviam instruir o outro avião para nos esperar, mas os agentes da United disseram que não se fazia isso e se recusaram a fazer qualquer coisa – só disseram que o problema era nosso, e que se quisessemos arriscar, talvez ainda desse pra pegar o próximo vôo. Como não havia melhor solução, fomos, numa tensão enorme, torcendo pra chegar a tempo. Chegamos em Washington na hora marcada para decolagem, e ouvimos um aviso sobre o próximo vôo, que não conseguimos enteder nada. A aeromoça disse pra gente correr, e nós corremos, todos os 8 passageiros correndo para o portão de embarque, todos carregados com as malas de mão e casacos. A gente estava no terminal C6, indo para o D4. O C’s foram decrescendo até o 1, e eu pensei “beleza, só faltam mais uns 4”, quando vi que começava do topo – tínhamos que correr do D30 até o D4! Foram mais de meio quilometro, com subidas e corredores sem portões. Parecia uma maratona, a gente ia correndo num desespero, diminuindo para recuperar o folêgo, botando as malas de baixo do braço para correr melhor, jogando água na cara... a Ines ficou logo pra trás numa das subidas, mas desde que um de nós chegássemos, os outros entravam também. Chegou todo mundo, cansados, quase morrendo, bebendo e jogando água na cara – a Ines tava pra ter um troço, acho que demorou um bocado pra gente se recuperar totalmente. No fim das contas eles estavam esperando sim, e ainda ficaram esperando mais uns 15-20 minutos para que nossas malas chegassem. Deu uma raiva imensa da United (e das companhias aéreas americanas em geral, são todas iguais).
Infelizmente, as companhias brasileiras não parecem muito melhor. Depois da nossa estada no Rio (um dia e meio), nós íamos pegar um vôo no sábado de manhã cedo para Sao Luís. Aliás, dois vôos – eu e a Ines íamos separados, por alguma razão esotérica que só as companhias aéreas são capazes de desvendar, ficava mais barato assim. O problema é que aparentemente não haviam marcado um lugar pra Ines no vôo – parecia ter tido um problema de comunicação entre a o site em que compramos o bilhete (Expedia, da Microsoft) e a TAM. Então começa o ritual do agente de chamar alguém com mais experiência, que chama o supervisor, que chama seu supervisor, que leva todo mundo pra conferir noutro balcão, onde ficam olhando para um monitor e fazendo cara feia, até que 30 minutos depois voltam e dizem que tá tudo resolvido. Pelo menos isso! Daí partimos para São Luís, sem maiores problemas (apenas uns atrasos habituais). E chagamos, finalmente, sem ter tido nenhum problema a sério, ao nosso destino final, São Luís; e incrivelmente, com todas as malas!
No Rio de Janeiro, as coisas correram quase bem: estava chovendo. No primeiro dia o tempo ainda chegou a abrir, e deu para aproveitar, mas o segundo dia foi bem feio. A gente chegou no Rio ao meio dia da quinta-feira. A gente tinha planejado pegar o ônibus (um shuttle) para o hotel, mas quando chegamos na frente do aeroporto, um taxista veio nos oferecer uma corrida, e com desconto. Depois de verificarmos que ele realmente estava nos dando um bom preço, e nos certificarmos que não era enrolação, assalto ou rapto (perguntamos a outros taxistas), resolvemos ir de táxi. Numa viagem anterior ao Rio, tinha dado para ver as favelas no caminho entre o aeroporto e a cidade, e eu tinha ficado muito impressionado com a enormidade da situação. Infelizmente, o táxi foi por um caminho diferente, e a daí a Ines não pode ver as favelas. A gente ia ter que ver na volta. O motorista foi bem simpático, conversou bastante e nos contou um bocado sobre o que íamos passando. Também gostou muito do sotaque da Ines, e de perguntar sobre diferenças engraçadas entre o português de Portugal e do Brasil (por exemplo, bicha = fila e puto = criança). Nós fizemos o check-in no hotel, fomos almoçar num self-service perto do hotel, e depois fomos ao Citibank para pagar a taxa do consulado. Depois tínhamos o resto da tarde livre, e aproveitamos para ir ao Pão de Açúcar. Fomos de ônibus mesmo.
O Pão de Açúcar demonstra o que há de melhor no Rio, na minha opinião: aquela geografia dramática, com morros e rochedos íngremes, baías e praias à volta, com a cidade imprensada entre os paredões e mar. A gente pega o teleférico na Praia Vermelha, sobe até o morro da Urca, e de lá pega o segundo teleférico para o topo do Pão de Açúcar. As vistas de cima de ambos são espetaculares – dá pra ver a cidade se espalhando entre os morros (com as favelas os subindo), o Corcovado com o Cristo Redentor em cima, a Baía de Guanabara. Só é pena que está um pouco nublado e a luz não é ideal para fotografias. Depois de uma hora lá em cima, começamos a descer, e vimos um mico (em inglês: “tamarin”) no morro da Urca. Também vimos um rapaz escalando o morro, e descobrimos que existem passeios que escalam o próprio Pão de Açúcar.
De noite saímos pra jantar no Boteco Informal, recomendado pelo guia Lonely Planet, mas a comida não estava nada boa. Na manhã seguinte fui ao Consulado Americano para renovar o meu visto. Correu tudo bem e foi tudo resolvido rapidamente, a minha entrevista era às 8:30 e às 10 já estava indo embora. O plano era pra Ines aproveitar e ir pra praia enquanto eu passava a manhã no consulado, mas lhe deu preguiça e ela ainda estava no quarto quando eu cheguei. A gente foi pra praia, mas o tempo estava nublado e muito feio. Dava pra ver da praia que haviam muitas nuvens em volta do Cristo Redentor, e resolvemos dar um tempo antes de tentar subir o Corcovado. A gente tentou entrar no famoso Copacaba Palace, mas havia um show da Madona na cidade, e ela estava hospedada lá. Na frente do hotel estava um multidão com máquinas apontadas pras janelas, tentando ver (e capturar) alguma coisa. Haviam repórteres acampados lá o tempo todo – na noite anterior eu passei em frente do Palace de táxi, e eles ainda estavam na calçada, de máquinas pro ar. Por causa disso tudo, o hotel só estava deixando hóspedes entrarem, e tivemos que desistir.
Nós fomos ao Corcovado depois do almoço, mas ainda parecia estar super nublado. Haviam vários serviços de táxi e vans particulares para fazer a subida, mas a gente decidiu fazer o passeio “tradicional” ao Cristo – pegar o ônibus para a estação do Cosme Velho, e de lá pegar o trem para o topo do Corcovado. O único problema é que o ônibus levou mais de uma hora pra chegar lá. Depois a gente descobriu que podíamos ter pegado o metro até bem perto da estação, e um ônibus para o último trecho – da próxima vez a gente já sabe. Chegando na estação, vimos que o tempo ainda estava ruim – eles têm um monitor mostrando o topo em tempo real, só que não dava pra ver nada, estava tudo branco, só de vez em quando aparecia alguma coisa. A gente esperou uma hora pra ver se melhorava, mas como não pareceu que ia abrir, decidimos subir assim mesmo. A viagem de trem foi lega, a vegetação do Corcovado é muito bonita e de vez em quando se tem boas vista, mas a medida que fomos chegando ao topo a névoa começou a aparecer e a engrossar, até que pareceu que estávamos entrando em uma nuvem. Quando saímos do trem estava chovendo mesmo, e com bastante vento. Assim que se sai do trem a gente sobe por um elevador (uns 2 andares), e lá em cima deu pra ver a situação – chuva, muito vento, e um grupo de umas 20 pessoas se espremendo debaixo de um toldo de uma lojinha ao pé da escada que sobe ao Cristo (+ 1 andar). A Ines entrou em pânico e ameaçou descer, mas eu a convenci a andar pra ver se agente achava algum lugar pra se abrigar da chuva. Passando em frente a lojinha e indo em direção aos banheiros vimos que tinha sim um barzinho no topo do Corcovado. Ele estava quase vazio – por que aquele povo todo estava se espremendo embaixo de um toldozinho quando podiam estar aqui sentados, abrigados e quentes, esperando a chuva passar? Não sei, mas foi isso que fizemos. A Ines estava com vergonha de ficar, mas eu a convenci que mesmo que só pedíssemos um café, ele era caro o suficiente para validar nossa estada ali. Quando o tempo melhorou um pouco, corremos para fora do bar rpa tentar ver alguma coisa enquanto desse. A Ines teve a idéia brilhante de para na lojinha e comprar capas de chuva, o que nos salvou de ficar completamente encharcados depois. Finalmente chegamos ao Cristo, tiramos fotos, corremos em volta ver a cidade embaixo enquanto havia buracos nas nuvens, e tentamos aproveitar um pouco a vista. Infelizmente, depois de uns 20 minutos lá em cima, veio um funcionário avisar que estavam evacuando o Corcovado por causa da tempestade que estava começando. A chuva começou a aumentar novamente, e tivemos que pegar o trem de volta. Pelo menos tínhamos visto o Cristo de perto, ainda que debaixo d’água.
Nessa noite jantamos crepes no Yonza, também recomendado no guia, e quase tivemos uma overdose de queijo. O guia recomendava o crepe de picanha com gorgonzola – pedimos esse, e um de quatro queijos. A picanha era uma carne fatiada fina, parecia “pastrami”, e ambos os crepes eram carregados de queijo, ficou demais. O Lonely Planet não foi muito bom com suas recomendações gastronômicas – a gente deu mais sorte comento nos restaurantes self-service no almoço.
No dia seguinte fomos cedinho para o aeroporto, e seguimos para São Luís. O resto da viagem conto depois.
Para ver as fotos desta viagem, clique aqui no na foto acima.
Friday, December 12, 2008
O Rio de Janeiro continua lindo...
Sunday, November 09, 2008
Outono na Nova Inglaterra
Domingo passado, eu e a Ines fomos passear por Massachusetts, para ver as árvores mudando de cor com as estações. Eu já moro na região da Nova Inglaterra há muito tempo - primeiro em Worcester, Massachusetts, e agora em Providence, Rhode Island. É uma região muito fria no inverno, e extremamente quente e úmida no verão (ruim pela falta de praias boas), mas que fica muito bonita no outono, quando as folhas das árvores mudam de cor e fica tudo muito colorido: vermelho, laranja, amarelo, e um pouco de verde. Para apreciar melhor a paisagem, a gente decidiu procurar um lugar alto de onde houvesse vista, e o lugar mais próximo era Mount Wachusetts, em Worcester. Fomos para lá, e apesar do frio, foi uma caminhada fácil para subir o monte, de apenas uma hora. O monte em si já estava um pouco "careca", mas a vista lá de cima foi ótima - dava até para ver Boston! Mas acho que o melhor mesmo foi quando dirigimos para lá, quando passamos por uma variedade enorme de paisagens e de cores.
Homestake
Eu viagei com o Rick para visitar a mina de Homestake na South Dakota. Essa é a mina em que vamos fazer o nosso novo experimento, LUX. Nós fomos lá para uma reunião com o pessoal da mina, para acertar os detalhes da instalação do experimento, que será em Dezembro-Janeiro. A região é muito montanhosa, e as vistas da entrada da mina (no topo de um morro) eram uma beleza. A mina fica perto da cidade de Deadwood, famosa por ser uma cidade do "Gold Rush" (corrida do ouro) no Século 19, e onde o Wild Bill viveu. Hoje a cidade é cheia de casinos, e todos os prédios (hotéis, restaurantes, bares, ...) estão repletos de máquinas caça-níqueis. A mina também não fica muito longe do Monte Rushmore - a montanha com as cabeças de presidentes esculpidas. Da próxima vez talvez tenha tempo de ir lá.
Velejando
O Rick (meu orientador) nos convidou para ir velejar com ele. Fomos eu e a Ines, mais o Carlos (um colego do lab) e a namorada dele, a Marie Laure. O Rick tem um catamarã pequeno, e dava para levar 3 pessoas de cada vez. Infelizmente o dia estava muito nublado, enevoado, e cinzento em geral. Mas mesmo assim, o passeio foi legal.
Wednesday, August 06, 2008
Nossa Casa
Eu e a Ines nos mudamos juntos em Junho, para um apartamento novo no East Side em Providence (perto da Universidade). O apartamento não é tão grande quanto o apartamento que a Ines tinha antes, mas é muito bonito. Tem uma sala grande dividida em sala de jantar e sala de estar, uma cozinha pequena mas grande o suficiente pra gente, um quarto e um escritório / quarto-de-hóspedes. A gente fez dois vídeos pra mostrar a casa - um em julho, logo depois que arrumamos a casa, e outro em dezembro, depois que ela já estave mais usada. É só clicar nos vídeos abaixo ou ir para o meu canal do youtube.
Tuesday, August 05, 2008
Cape Cod, 4 de Julho
Eu e a Ines fomos passar o 4 de Julho (feriadão americano) acampando em Cape Cod, perto da praia. Cape Cod é uma península em Massachusetts, famosa pelas praias (não que as praias sejam muito boas - as outras da região é que são péssimas). A gente ficou em um parque de campismo a 5 minutos da praia de bicicleta, conectado por uma trilhazinha com areia. Assim que chegamos fomos a praia, mas a água estava geladíssima. Eu ainda tentei dar um mergulho, mas não deu pra ficar na água mais que uns poucos segundos.
Na primeira noite fomos a Provincetown, ver os fogos de artifício. Provincetown é a cidade na ponta da península, e é conhecida por ser uma "party town", uma cidade divertida. Isso é provavelmente devido ao fato que a grande maioria da cidade é de homens homosexuais. A cidade estava cheia de casais gays - aliás, a maioria das pessoas na rua era de casais gays - heterosexuais pareciam ser de longe a minoria. Ainda mais interessante era o fato da cidade estar toda enfeitada com bandeira portuguesas. A Ines não consequiu explicar. Eu perguntei se isso é o que dá quando portugueses vão para os Estados Unidos ("soltam a franga?"), mas ela não respondeu.
Os fogos foram legais, muito bem feitos. Depois andamos pela rua principal da cidade, que é cheia de lojas e restaurantes, e todas cheias de gente. Haviam algumas familías, algumas "drag queens", mas a maioria parecia ser de casais de homens, dominando a cidade completamente.
No sábado fomos andar por uma ciclovia perto de Provincetown que passa por umas praias, por morros e por uma floresta. O dia estava nublado, e a primeira praia estava completamente enevoada, e não deu para aproveitarmos as praias. Mas o passeio foi bom, até chegarmos a floresta, que estava cheia de mosquitos, e tivemos que pedalar a toda velocidade para evitar sermos picados por todo lado. E isso mesmo com repelente, que um casal nos ofereceu quando chegamos lá. pelo menos foi um bom exercício.
No sábado a noite fomos comer na cidade, e achamos um bom restaurante de mariscos longe da rua principal, porque a gente queria comer Clam Chowder, um caldo grosso de amêijoas (mariscos). Comemos o clam chowder e um outro prato com carangueijo e outros mariscos, e estava tudo muito bom e relativamente barato (a cidade era um bocado cara em geral).
No último dia levantamos a tenda e fomos embora, mas paramos no caminho em uma praia em Wellfleet (ainda no Cape Cod), uma pequena península para dentro da baía de Cape Cod.
Nós caminhamos umas 2-3 horas para chegar ao fim. A praia também estava cheia de mosquitos, mas estes eram enormes ("buzzards"). Felizmente cruzamos com uma guarda florestal bem no início, que nos mostrou que repelente pra mosquito também funcionava com esses monstrinhos. Ainda assim eles ficaram a nos pertubar o caminho inteiro, e a gente tinha que botar mais repelente o tempo todo. No fim, fiquei um pouco chateado que a praia estava cheia de gente - tinham vindo de barco! A gente teve o trabalhão de andar até a ponta, e esse povo preguiçoso simplesmente vai de lancha pra lá...
Para verem as fotos, clique aqui ou na foto acima.
Sunday, June 29, 2008
LUX - Verão 2008
Thursday, June 26, 2008
DMTools
A couple of weeks ago we, the Brown ParticleAstrophysics group, created a website to serve as the website for the Dark Matter Community.
The site named after the software called DMTools, used by almost all DM groups to make the limit plots you will see in DM papers. The plots that show how sensitive the the detector is to dark matter, or in other words, the parameter space ruled out by the experiments, showing what energy and cross-section the dark matter particles don't have (otherwise we would have seen them). The software was developed by my advisor and his CDMS collaborators, and it's hosted in our servers at Brown.
The design is by Carlos, and it's pretty cool. The site has a DM wiki and a DM forum, mostly to talk about the experiments and their results. Check it out at:
Tuesday, February 12, 2008
India
Eu e a Ines fomos viajar pela India. Voamos pra Delhi no dia 1 de Janeiro, e de lá viajamos de trem e de ônibus para Agra e pelo Rajastão, a terra dos Rajás, uma região no centro-noroeste da India. Visitamos por 8 cidades em 3 semanas:- Delhi, a capital da India;
- Agra, onde fica o Taj Mahal (+ Fatehpur Sikri, a cidade real abandonada);
- Jaipur, a Cidade Rosada, capital do Rajastão e centro comercial (+ Amber, com o maior palácio da região);
- Pushkar, com o lago sagrado;
- Udaipur, com o romântico Palácio do Lago;
- Ranakpur, com os templos dos Jains;
- Jodhpur, a Cidade Azul, com um fortaleza enorme no topo de um monte; e
- Jaisalmer, a Cidade do Deserto, de onde fizemos um safari de camelos e passamos a noite nas dunas.
A viagem correu muito bem, mas é difífil dizer que foi ótima - sempre que nos perguntam como foi, a gente responde que foi "interessante", ou que foi muito "diferente". É porque apesar de todas as coisas bonitas e legais que vimos e fizemos, também foi uma viagem muito estressante de vez em quando.
Um dos problemas era o assédio constante por gente querendo dinheiro - pedintes, lojistas, guias, homem-santos... era difícil relaxar e conversar com alguém na rua, porque provavelmente queriam dinheiro. Por exemple, se estivessemos andando por um monumento e uma pessoa fosse simpática com a gente, nos apontasse algo pra ver ou recomendasse um lugar pra ir, era provavelmente alguém tentando pedir dinheiro ou tentando ganhar comissão para nos levar a algum lugar (até os "homem-santos" faziam isso!). Outro problema era a constante negociação de preços - de quartos, transporte, presentes, ... de tudo menos comida. Em nenhuma loja se podia perguntar o preço, porque para os lojistas isso era sinal que nós queriamos negociar. Em vários lugares (como no mercado em Jaipur) não era preciso nem falar nada, bastava olhar para alguma coisa que começava a negociação - a gente tinha que andar rápido, olhando pra frente, pra evitar isso. Finalmente, também tentaram nos enrolar frequentemente, daí mais uma razão para não poder relaxar. Eram motoristas que nos levavam para agências de viagens falsas, que diziam que nosso hotel tinha fechado para poder nos levar a outro lugar onde ele ganhava comissão, restaurantes com nomes semelhantes ao recomendado pelo guia, para poder lucrar com a fama do outro... chegou a um ponto que tinhamos que recusar ajuda e nunca dizer pra ninguém onde estávamos indo, e quando fossemos de motorista pra algum lugar, ficar uns 15 minutos olhando em volta pra tentar confirmar se estávamos no lugar certo...
Por outro lado, vimos muitas coisas bonitas, palácios, paisagens, cidades, comemos muita comida deliciosa, e fizemos muitas coisas interessantes. Enfim, não foram umas férias praia, em que se fica relaxando e aproveitando o tempo; foi uma aventura.
Nós tiramos mais de 1500 fotos, e infelizmente, ainda nao tive tempo de arrumá-las. Vou colocar umas aqui só por que estão me cobrando - se quiserem explicações, vão ter que falar comigo ou com a Ines. Nos próximos dias tento escrever alguma coisa sobre a viagem e sobre as nossa experiências. Eventualmente vou colocar um álbum e uma entrada no blog por cidade. Por enquando ficam estas "poucas" fotos.
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Wednesday, September 12, 2007
Praia em Portugal

Finalmente tenho tempo de escrever no blog mais um pouco. Estou tão cheio de trabalho que nem tive tempo de falar das férias ainda.No fim de agosto, Eu e a Ines fomos a Portugal durante 2 semanas, passar férias. É a minha segunda vez em Portugal. A primeira viagem (dois anos atrás) foi "turismo histórico": vimos as cidades principais, os bairros históricos, castelos, igrejas, museus, etc... Desta vez foi "turismo moderno", que pra mim quer dizer praia. Passamos uma semana numa casa alugada em Tróia, uma península ao sul de Lisboa (pertinho de Setúbal), com muitas praias - começando em Tróia, são mais de 30km de praia sem interrupção ao sul, uma faixa contínua de areia branca com dunas atrás. A casa foi alugada pela mãe e avó da Ines, e ficamos lá os quatro. A casa não era muito grande, mas tinha 3 quartos, era muito bonita (muito bem "projetada"), e pertinho da praia, dentro de um complexo fechado. Durante a semana que estivemos em Tróia, viajamos um pouquinho também. Num dia que estava muito feio e nublado, fomos a Évora, jantar com o pai da Ines. Também fizemos 2 passeios ao litoral sul: Lagos e Porto Covo. Lagos é na costa sul, e é uma cidade bem "internacional"; quando saímos a noite (pra jantar e passear), haviam muito estrangeiros, principalmente ingleses, pra todo lado. A cidade era bonita e divertida a noite, mas eu gostei mesmo foi da beleza da Praia da Dona Ana, a mais famosa de lá. É uma praia no meio das falésias, entre os paredões, com água transparente e vistas espetaculares. Porto Covo também tinha praias similares, com falésias, águas transparentes, e praias escondidas, isoladas pelas falésias e com acesso somente pelo mar. Porto Covo era uma cidadizinha menor, mas muito bonitinha, com casas brancas de detalhes azuis. O ruim dessas praias era o frio - as águas eram geladíssimas, mesmo na costa sul. Era difícil aproveitar muito. Era muito, muito frio mesmo. O que é pena, porque as praias eram bonitas mesmo.
Nesta viagem também tive oportunidade de comer, pela primeira vez na vida, caracóis! Fomos a um bar em Setúbal especializado. Pelo visto é comum as pessoas comerem caracóis em Portugal, é uma coisa típica de se comer no verão, tomando um cerveja. Os bichinhos vinham inteiros, dava pra ver até o rosto (antenas, olhos) deles. Foi bem legal.
Para verem as fotos, clique aqui ou na foto acima.
Monday, August 20, 2007
Cataratas do Niágara

Mês passado, Eu e a Ines fomos para as Cataratas do Niágara. Saímos no dia do meu aniversário (numa quinta-feira), e ficamos até domingo. A viagem foi 8 horas de carro. As cataratas ficam na fronteira do Canadá com os Estados Unidos, logo acima do estado de New York. A melhor vista e atrações são do lado canadense, então é pra lá que nós fomos. Atravessar a fronteira na ida foi fácil, não demorou nem 5 minutos. Já na volta, foram 1 hora na fila de carros, mais uma hora e meia pra passar na imigração. Em volta da cachoeira há uma cidade turística, que parece ser feita exclusivamente de hotéis, restaurantes e lugares de entretenimento (casinos, cinemas, e outras atrações). De noite a cidade parecia uma Las Vegas, cheia de neons pra todo lado, era até difícil dirigir com tanta luz piscando na rua. Mas isso era mais pro centro, a área da cachoeira era menos urbanizada, com muitos jardins e pracinhas.Pra economizar dinheiro, acampamos. Eu tenho uma barraca que comprei na Itália e que usamos pra viajar pela Córsica. A Ines achou um parque de campismo muito bom, o Jellystone - o parque do Zé Colméia! O local era bom, a uns 5 minutos das cataratas, e tinha uma van para levar turistas pras cataratas. A nossa área era na beira de de um rio, e tinha bastante árvores - deu até pra armar a rede que eu trouxe do Brasil. A Ines então adorou a rede. Todo dia a gente voltava pro campo na hora do almoço, comia, e a Ines desmaiava na rede. Era só encostar e ela dormia umas 3 horas. Mas da próxima vez que formos acampar, vou procurar um colchão inflável porque passar a noite no chão não foi tão comfortável.
As cataratas foram uma vista incrível. Pra mim, a melhor maneira de descrever é que parecia o fim do mundo, num sentido medieval. Sabem como na Idade Média se achava que a terra era plana, e que o mar terminava em algum ponto com nada adiante, com a água caindo pro nada? Era assim que parecia. A gente seguia o rio com os olhos, e de repente o chão desaparecia, tudo caía além da vista, com uma névoa gigante vindo do nada (no caso medieval, presumivelmente do inferno) e um trovão contínuo. Era uma cena espetacular. A força da água caindo era tanta que a água jorrava alta para cima e criava uma névoa que mantinha tudo a volta debaixo de chuva, mesmo quando fazia sol. Parecia uma fábrica de nuvens. A vista de perto também era muito legal, dava pra chegar bem pertinho - uns 2 ou 3 metros - da ponta da cachoeira principal. As cataratas, aliás, são 3: as "cataratas da ferradura", que formam um semi-circulo e fazem a vista que eu descrevi; as "cataratas americanas", que ficam nos Estados Unidos mas não tão interessante (talvez até seriam, se não estivessem sido comparadas com a da ferradura); e a "Véu de Noiva", uma cachoeira mais fina ao lado das americanas.A gente comprou um pacote de passeios pra fazer. Os dois principais eram o "Maid of the Mist" e o "Journey Behind the Falls", que fizemos na sexta-feira. O "Maid of the Mist" (Dama da Névoa) é um barco que leva os turistas bem perto da cachoeira. Ele passa em frente as cataratas americanas, e entra no circulo das cataratas da ferradura, no meio da névoa. A gente fica completamente molhado. Felizmente, a companhia distribui "ponchos" plásticos que cobrem o corpo todo, então as roupas ficam bem secas. O "Journey Behind the Falls" (Jornada Atrás das Cataratas) é um passeio que leva a um túnel cavado por trás das cataratas. O túnel mesmo não é tão interessante, porque ele é estreito, e não tem vista nenhuma - a cachoeira cai logo a frente da boca do túnel, não dá pra ver nada. Mas o passeio passa por um terraço bem ao lado da cachoeira, e a vista de lá é ótima - a gente chega ainda mais perto do que do barco.
Depois dos passeios, voltamos pro acampamento, almoçamos, cochilamos na rede (a Ines mal deitou e desmaiou...), e no fim da tarde voltamos pra cidade. O motorista da van nos contou que havia um equilibrista que fazia apresentações ao ar livre todo dia as 8, e nos sugeriu um restaurante bem em baixo do fio, o Coco's. O jantar foi ótimo, com vista do equilibrista e música ao vivo. O equilibrista era supostamente um dos mais respeitados do mundo, com 61 anos de idade.
No sábado fizemos os passeios extras do pacote: uma caminhada ao longo das corredeiras e um passeio ao jardim das borboletas. As corredeiras são uns poucos quilômetros depois (rio abaixo) das cataratas, e são consideradas umas das mais perigosas do mundo, com muitas pedras e ondas. As corredeiras terminam na "Whirlpool" - o "redemoinho" - uma baía tangente ao rio onde há um redemoinho contínuo. O jardim das borboletas é uma estufa, cheia de borboletas. Uma pousou no meu ombro e andou comigo uma meia-hora, até que a Inês achou que ela tinha morrido lá, e resolvemos espantá-la pra ver se estava viva mesmo. Apesar delas pousarem facilmente nas pessoas, elas não pareciam gostar da Inês, e se recusavam a pousar nela. Quando estávamos indo embora, uma finalmente pousou na cabeça dela, dando uma boa foto :)
Para verem as fotos, cliquem aqui ou nas fotos acima.
Aniversário da Ines em NY

Mês passado foi o aniversário da Ines (25 de Julho). Nós fomos passar o fim-de-semana em NY. Saímos pra dançar salsa com a Ana Catarina e o Eric (o namorado da Ana) na sexta-feira a noite, e passamos a noite no apartamento do Eric. No sábado, fomos comer "brunch" (refeição típica americana, mistura de café da manhã com almoço) no Sarabeth's, um restaurante de brunch muito chique.
De tarde, eu e a Ines fomos ao Museu Guggenheim, ela gosta muito do Frank Lloyd Wright, o arquiteto que planejou o museu, e do Kandinsky, um artista moderno russo que tem muitas obras nesse museu. Eu não gosto muito desse tipo de arte, mas o passeio foi bom, e teve algumas coisas interessante (como a lagosta do Picasso). Depois do museu, nos encontramos com a Ana e o Eric de novo, e fomos passear um bocadinho no Central Park. A Ana e a Ines estavam morrendo de fome a esta altura, então não deu pra passearmos muito pelo Park. Felizmente a Ana trouxe um bolo escondido, e cantamos os parabéns pra ela :)
Thursday, July 19, 2007
Windows Live Writer
I wrote this post using the Windows Live Writer (Beta2). It's pretty cool, it allows for blog editing on a software in your own computer. It makes layout and tables much easier. The program looks good and it's easy to use. I recommend it.
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I have tested it with Blogger (this post), and with a private Wordpress blog (hosted by my lab). Blogger took zero configuration. For the Wordpress blog, since it was hosted on our own private computer, I had to configure it, but Wordpress has a page about using clients. For Wordpress, you have to select the metaWebLog API and the URL is:
http://<address>/xmlrpc.php
Saturday, May 05, 2007
Minnesota Underground
Estou voltando agora da viagem para um laboratório subterrâneo em Soudan, Minnesota. O laboratório foi construído dentro de uma antiga mina de ferro. A caverna onde fica o laboratório fica a 730m da superfície, e abriga o experimento MINOS (um detector gigante de Neutrinos) e o experimento CDMS (nossa competição no campo de Matéria Escura). A gente desce para o labóratório usando um elevador pequeno, sem luz - vocês não sabem o que é escuro até estarem meio quilometro debaixo da terra sem nenhuma luz (1/2m porque lá embaixo, no lab, tem luz).Eu passei a semana lá, trabalhando com o detector Diode-M, parte do projeto SOLO, que a gente usa para medir a radioatividade dos componentes usados no experimento XENON. Tive que fazer um upgrade do computador usado na acquisição de dados, e reconstruir o "shield" (proteção contra radiação externa). A reconstrução do "shield" levou 3 dias - tivemos que remover e depois empilhar dezenas de tijolos de chumbo, 15kg cada - foram toneladas de chumbo. Eu tive ajuda do Jesse (estudande da Flórida), que ajudou bastante, e do pessoal da mina - mas eles ajudaram pouco.
Sunday, April 29, 2007
Worldphotos
I wrote a webpage using javascript that displays my photo albums on a world map, using the Google Maps API. The code is inspired on the PHP script I saw on "jobe's gallery - map edition", but it uses only javascript, so it is compatible with more servers (my server did not support PHP scripts).The result was so cool I decided to make a package available so that anyone can use it. The package contains the file worldphotos.htm, which displays the albums on the map (for an example, click the picture above), and a java program called worldphotos_thumbmaker that automatically creates thumbnail files to be used with the htm file. I wrote the program in java so it is platform independent. You must have the latest java version (v1.6), because it uses the new Scripting Engine to read the album list from the javascript file. To download the package, go to https://dl.dropbox.com/u/6174262/Stuff/worldphotos/index.html - it also has a readme.txt file with more information.
