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Sunday, June 02, 2013

Chegada em Portugal

 Esta semana cheguei em Portugal depois de quase 4 meses nos Estados Unidos, e milagrosamente não perderam nenhuma das minhas malas!  Mas isso era só uma breve calma antes da tempestade - eu mal sabia o que me esperava em casa...

Quando chego em casa na terça, descubro que cortaram a eletricidade.  Não parece tão mal, exceto... A geladeira!  Eu tinha deixado umas carnes e legumes congelados, mas agora era só uma massa cinzenta uniforme, gotejante, e um cheiro de putrefação horrível.  Descubro também que cortaram meu celular, e portanto não tenho internet nem outro meio de comunicação, então vou andando pra EDP.  O problema afinal é que apesar de eu ter debito direto da conta, logo no primeiro mês a conta ficou acima do limite e o dinheiro não foi debitado, e apesar de eu receber todas as minhas contas por email, os avisos de atraso só vem por carta.  Eles vão reativar a conta, mas só podem ir ligar a luz na quinta-feira!  Até lá, velas, geladeira trancada pro cheiro não escapar, sem internet, e banho gelado - e ainda por cima a fazer frio!

Logo depois fui a vodafone pra reativar o celular, mas ele só volta a receber sinal na manhã seguinte.  Resultado: ele fica sem bateria, porque passou a noite toda tentando reconectar.  Eu decido ir a universidade carregar o celular e laptop, mas começa a maior chuva.  Não tem problema, basta ir de carro... exceto que a bateria estava descarregada e o carro não pega!  Eu passo o dia em casa, desfazendo as malas e arrumando a casa.

Na quinta de manha, finalmente ligam a eletricidade, e eu faço uma limpeza geral na geladeira.  O seguro cobre mandar um mecânico pra dar a partida no carro.  Parece que está tudo se resolvendo, mas aí eu descubro que o roteador morreu, e eu fico sem internet em casa.  Também descubro cortaram minha conta do Via Verde (o pedágio automático de Portugal), porque eu mudei de cartão de crédito e não os avisei.  E agora que já tenho eletricidade pro aquecedor a água quente, a chuva para e o clima esquenta.  E quando entro em casa no fim do dia vejo que o cheiro ainda está lá - deixo a geladeira "de molho" em vinagre, pra ver se passa.

Sexta-feira de manhã a casa toda cheira a vinagre, e lá vou eu passar mais 2 horas limpando a geladeira (e todos os buracos, frestas, borrachas, etc...).  Parece que o cheiro finalmente está passando. Arranjo outro roteador, troco os cartões na Via Verde.  Agora sim, tudo está se resolvendo.  E assim que eu começo a relaxar, caminhando da universidade pra casa no fim-do-dia, ploft!  Um pássaro faz cocô na minha cabeça.

Assim é perseguição!


Friday, December 17, 2010

Parrrri

Paris - Luiz, em frente a Torre Eiffel

No começo de Novembro houve um fim-de-semana prolongado, e eu e a Ines resolvemos aproveitá-lo para fazer uma pequena viagem a Paris! Apesar de curta, a viagem não foi corrida e pudemos passear relaxadamente. Andamos pra todo lado, fizemos e vimos um pouco de tudo. Fomos ao Arco do Triunfo e descemos passeando pela Champs-Élysées, a avenida mais chique de Paris e portanto do mundo; fizemos um passeio de barco pelo rio Seine, parando na Catedral de Notre Dame para admirar os gárgulas; subimos a Torre Eiffel, com vistas espetaculares pra toda a cidade; assistimos a um pôr-do-Sol da cúpula da Basílica de Sacre Coeur, com vista para a Torre; fomos ao Museu de L’Orangerie, ver os Lírios d’água do Monet (tem quadros dos lírios pelo mundo todo, mas são só ensaios – o produto final estava aqui); e fomos ao Louvre, onde realmente tivemos que correr o dia todo para conseguir ver uma pequena fração das suas obras de arte.Paris - Luiz e Ines num passeio de barco no Seine, em frente da Catedral de Notre Dame, a famosa catedral gótica de 1163

Pra minha surpresa, outra grande atração foi a comida, desde a famosa “haute cuisine”, com pratos mais pra ver do que comer, até os lanches, como o cachorro-quente francês (um monte de queijo delicioso por cima) até os nossos preferidos: crepes. Comemos crepes todo dia, de todo tipo, com nutella, com manteiga e canela, e até com queijo feta e berinjela; teve um dia que comemos crepes três vezes. Também demos muita sorte com um restaurante indiano, que era perto do hotel, e um outro marroquino (só de escrever está me dando fome). A irmã da Ines também foi com o namorado, mas a viagem deles deu problema no início, e depois só nos encontramos duas das noites. Mas numa dela saímos com umas amigas que estavam estudando lá para comer fondue (de carne e de queijo, e sem limites), e depois fomos a uma boate, a Favela Chic – brasileira!

A Ines se divertiu bastante com o meu francês – aliás, o minha completa e profunda ignorância de qualquer coisa em francês, e a incapacidade de pronunciar qualquer coisa.  Parece que o fundamental de se falar francês é não pronunciar a segunda metade da maioria das palavras, e enrolar muito os R’s, que nem no título do post…  Felizmente os franceses foram muito mais simpáticos do que lhes dão crédito, e aceitaram falar em inglês sempre que necessário.

A viagem foi ótima, e nem saiu muito cara – evitamos comer em lugares muito caros (mas sem deixar passar oportunidades), e até conseguimos ficar num hotel por menos de 50 euros por noite (com um lugar com croissants deliciosos e baratos bem pertinho – estou ficando com fome de novo!).

Para verem as fotos, cliquem aqui ou nas fotos acima.  (Há tambem um album maior, com mais de 60 fotos)

Friday, September 24, 2010

(Un)Seen University

20100921_Oxford_0049No fim-de-semana passado, a colaboração do experimento ZEPLIN-III teve uma reunião em Abington, na Inglaterra.  Logo depois era o meu shift (plantão), em que tinha de ir a mina de Boulby para tomar conta do experimento por uns dias.  Era minha primeira vez como o supervisor, o que significa que eu estava encarregado do experimento, e também dos detalhes logísticos, como chegar lá.  Isso também significa que esta foi a primeira vez que eu dirigi do lado errado da rua (os Ingleses conduzem na faixa esquerda).  Felizmente correu tudo bem, apesar dos gritos de pânico do Alastair, um colega que tinha o shift comigo (“’Esquerda! Esquerda!”, etc…).

Mas entre a reunião em Abington e o shift na mina, tinha um dia para a viagem, e aproveitei para andar umas horas por Oxford, que fica ao lado de Abington.  Quando cheguei, a cidade ainda estava coberta por uma névoa, e francamente seria uma decepção se não estivesse.  Então tive a oportunidade de ver as universidades medievais semi-escondida na névoa, com torres góticas rompendo as brumas.  Mas depois o dia clareou, a névoa se foi, e deu pra aproveitar um dia bonito e tirar umas boas fotos.  Para mim, o mais legal de ver Oxford foi o quanto ela me lembrava (quer dizer, evocava) a “Unseen University” do Terry Pratchett, a universidade dos magos do Discworld.  E não sou só eu que pensa assim, já que a Oxford também foi usada como cenário para a escola de magos do Harry Potter.

Para verem as fotos. cliquem aqui ou na foto acima.

PS.:  Uma surpresa agradável: descubri que a rede wifi que temos em Portugal, a eduroam, se estende por toda a Europa mesmo, até na Inglaterra – abri meu computador e tinha rede, sem ter que configurar nada!  Foi muito útil.

Saturday, August 07, 2010

Patara, Kas e Saklikent

Kas, Turquia - Passeio de barco pelo Mediterrâneo - O barco parou várias vezes em enseadas para podermos banhar e mergulhar no mar Eu e a Ines fomos passar ~1 semana de férias na Turquia neste verão.  Nós passamos 5 dias em Istanbul, a maior cidade do país, e 3 dias na costa sul do país, na região de Fethiye.  Para ler sobre a primeira parte da nossa viagem a Turquia, veja o post anterior: Istanbul (Not Constantinople).

Depois de 4 dias em Istanbul, eu e Ines pegamos um vôo para o sul.  A gente tinha decidido que queria pegar uns dias de praia, e pesquisamos no Google qual era a melhor praia da Turquia.  Vários "sites" indicaram Patara, uma praia de 18km de extensão no Mediterrâneo, perto da cidade de Fethiye.  Escolhemos ao acaso uma pensão na vilazinha, a Akay Pension, e só quando chegamos lá é que descobrimos que a pensão era muito bem recomendada na internet, especialmente por causa da ótima comida.  Descobrimos isso logo que chegamos: nosso primeiro jantar lá (uma "caçarola" de galinha) foi a melhor refeição da viagem.  Os donos eram um casal muito simpático e atencioso, e Kazim (o dono) nos ofereceu muitas dicas e ajuda com o planejamento dos nossos dias lá.  Se nós soubéssemos antes como era bom em Patara, tínhamos ficado muito mais tempo - ficamos muito arrependidos de ter ficado tão pouco. 

Patara era uma cidade do Império Romana, onde nasceu o famoso bispo Santo Nicolau no século IV, em quem é baseado o personagem do Papai Noel.  Antes do Império Romano, a região era habitada pelos Lícios, um povo ligado aos gregos, por volta dos séculos 7 a 4 antes de Cristo.  Aliás, aprendemos que muitas das histórias e mitos gregos se passaram na costa oeste Turquia, e mais especificamente na região da Lícia, onde estávamos.  Por exemplo, Tróia, da famosa guerra de Tróia narrada na Ilíada, ficava na Turquia.  O Rei Midas, aquele do toque de ouro, era um rei da Lícia, na região onde ficamos.  Também é da Lícia o Rei Gordio, que crio o nó górdio, um nó impossível de ser desamarrado, de tal maneira que um oráculo previu que quem desatasse o nó conquistaria a Ásia.  Diz a lenda que Alexandre o Grande, quando passava por lá, foi examinar o nó e depois de muito pensar, puxou a espada e cortou o nó; logo depois ele conquistaria todo o mundo conhecido.  E há finalmente a história do velhinho generoso que dava presentes as crianças órfãs e pobres... 

Kas, Turquia -  Praia de Kaputas, entre Patara e Kalkan (uma cidadezinha turística), com águas de um azul muito bonito, quase turquesaNo primeiro dia em Patara fomos a praia.  É uma boa caminhada para chegar a praia, porque a estrada passa por uma área protegida por causa das ruínas de Patara.  A praia é muito longa e calma, e passamos o dia pegando sol e relaxando.  Na volta, passeamos pelas ruínas, que estão sendo restauradas.  O que mais chama a atenção é o anfiteatro romano, enorme e muito bem conservado.  Também haviam restos de palácios, casas e de uma basílica (eu acho - as coisas não estavam descritas em lugar nenhum).  Dava para ver que o trabalho de restauração sendo feito: haviam fileiras de pedras organizadas por tamanho e formato, ou por detalhes, tomando um campo inteiro.  Algumas tinha pedaço de um arco, outras tinham um linha que parecia ser a fachada de um telhado, etc...  Era como um quebra-cabeça gigante, remontando todas aquelas pedras em palácios, casas, ruas, colunas... Patara, Turquia - Patara foi uma cidade durante o Império Romano, e seu residente mais famoso foi o bispo Santo Nicolau do século IV, ou Saint Nicholas, que eventualmente ficou conhecido como Papai Noel (sim, é ele mesmo!).  Sobraram muitas ruínas desta época, como os arcos de entrada da cidade. E gigante mesmo, pois vimos que as pedras eram numeradas, e encontramos algumas com os números bem além dos 880,000!  Também havia um cemitério Lício sendo desenterrado, com os túmulos (sarcófagos em formato de templos) construídos acima da terra.  Estes eram ainda mais antigos do que as ruínas romanas, com uns 2,500 anos de idade.

Kas, Turquia - Passeio de barco pelo Mediterrâneo - O barco ia até as ruinas submersas de Kelkova, uma cidade pré-romana que afundou em um terremoto.  Só é pena que não podemos mergulhar lá - é uma área protegida.No dia seguinte fomos a Kas para pegar um passeio de barco.  Este tipo de passeio nesta região era muito recomendado pelo guia turístico, pelo pessoal da pousada e até pela revista de bordo do avião.  As estradas para Kas era cheia de curvas e contracurvas, beirando um desfiladeiro que dava pro mar.  Apesar de muito bonito, chegamos em Kas em cima da hora, e não pudemos pesquisar muito antes de escolher um barco, pois todos partiam em menos de 10 minutos.  Pegamos um que parecia bonitinho (não queríamos uma monstruosidade de fibra, mas algo de madeira, mais tradicional), e demos sorte na nossa escolha, pois foi o barco que voltou mais tarde, as 7 da noite.  O barco parou 5 vezes para banharmos no mar, geralmente em enseadas com nada a volta.  A água era de um azul perfeito, e limpíssima.  O destino final da viagem era Kelkova, as ruínas de uma cidade antiga submersa depois de um terremoto.  A água era tão limpa que dava para ver.  Só era pena não que podíamos mergulhar lá (era uma zona protegida)!   Felizmente paramos logo depois em outras ruínas onde podíamos mergulhar, e vimos paredes e fundações de estruturas antigas.  Também paramos numa vilazinha com um forte romano no topo, mas não pudemos entrar porque deixamos o dinheiro no barco.  O guarda nos indicou um lugar com ótima vista, e a escalada não foi perdida.  Lá de cima avistamos um dos túmulos Lícios dentro d'água, e corremos lá para ver de perto antes que o barco partisse.  Demos sorte, fomos uns dos poucos dos passageiros que viu o túmulo.

Nas noites depois da praia de Patara e depois do passeio de barco, passeamos por Kalkan e Kas, respectivamente.  As duas era cidadezinhas turísticas, mas que tinham obviamente crescido muito nos últimos 5 anos por causa do turismo.  Eram uma mistura de simpáticas com "trashy" (por causa de alguns dos turistas lá).  Mas Kalkan era muito bonita, e foi pena não termos tido muito tempo para aproveitar lá.

Saklikent, Turquia -  O desfiladeiro de Saklikent é enorme, com 18km de comprimento e 80 metros de altura em algumas partes.  Nele corre um rio muito limpído, mas com águas geladas No último dia nós fomos para o desfiladeiro de Saklikent, que o Kazim (da Akay Pension) nos recomendou.  O desfiladeiro é muito legal, com paredões altíssimos (até 80 metros) e muito verticais.  A gente entra pela saída do rio que corre dentro dele, por umas passarelas que passam por cima das corredeiras.  Daí a gente tem que atravessar o rio, que é geladíssimo.  A maior parte d'água vem por um canal subterrâneo, e depois da travessia é só um riachinho calmo.  Nós caminhamos por umas boas duas horas, passando por vários pontos difíceis, onde tínhamos que escalar as pedras contra o rio.  Depois de passarmos por um parte particularmente difícil, em que escalamos uma cachoeira com muito pouco apoio, decidimos voltar.  Havia um grupo de voltando, uns tipos que tinham escalado as partes mais difíceis com bem menos dificuldade que a gente, que disseram que ainda não tinham chegado ao fim, mesmo tendo caminhado mais uns 20 minutos.  Pelo que vimos, os poucos que tinham vindo esta distância desistiam logo antes da cachoeira, e portanto nos pareceu uma vitória termos ido além.  Deixamos os nossos nomes escrito em lama na parede :), e demos meia volta.  Só agora enquanto estava escrevendo é que li que o desfiladeiro tem 18km de extensão - ia demorar bem mais para chegarmos ao fim...  Na saída, paramos para almoçar no rio - literalmente.  Tem um restaurante que montou mesas em cima da água, com plataformas de madeira logo acima da superfície.  Era bem legal.  No caminho para o aeroporto, apesar de estarmos muito apertados com o tempo, decidimos pegar um pequeno desvio para Tlos, uma das maiores cidades da Lícia, para vermos os túmulos esculpidos em rocha na face das colinas.  Eu já tinha ouvido falar bastante destes túmulos pré-romanos, que são uma característica da região, e não queria ir embora sem vê-los.  Nós só paramos na entrada de Tlos uns 10 minutos, mas deu para ver os túmulos, e também o começo de uma cidade enorme em ruínas.  Tivemos que correr para o aeroporto depois, mas valeu a pena.

Para verem as fotos da viagem, clique nas fotos acima ou nos links abaixo:

Álbum grande (105 fotos)

Álbum pequeno (37 fotos)

Friday, August 06, 2010

Istanbul (Not Constantinople)

Istanbul, Turquia - Ines em frente a Mesquita Azul (de 1616), no Sultanahmet, o centro histórico com as mesquitas e palácios mais importantes.  Apesar do nome, ela não é azul por fora, mas por dentro.  É a mesquita com mais minaretes (as torres pontudas), e por isso é facilmente reconhecida mesmo de longe. Para a letra da música: Istanbul (Not Constantinople)

Eu e a Ines fomos passar ~1 semana de férias na Turquia neste verão.  Nós passamos 5 dias em Istanbul, a maior cidade do país, e 3 dias na costa sul do país, na região de Fethiye.  Para o relato da segunda parte da viagem, veja o post seguinte, Patara, Kas e Saklikent.

A atração principal de Istanbul são as mesquitas antigas, que enfeitam a cidade toda.  As principais eram a Mesquita Azul e a Aya Sofya, que visitamos logo no primeiro dia.  A Mesquita Azul (de 1616AD) tem um exterior muito elaborado, e domina a vista da cidade com seus seis minaretes (torres pontudas).  A Aya Sofya, de 537AD, era uma igreja que foi convertida em mesquita, e por isso tem um aspecto estranho por fora.  Mas o interior dela é enorme, e muito bonito - ela tinha o maior domo e a maior nave do mundo antes da construção da Basílica de São Pedro no Vaticano. Istanbul, Turquia - Luiz em frente a fonte no pátio da Mesquita Azul.  A maioria das mesquitas que vimos tem um pátio com arcadas e domoscom uma fonte no meio para as pessoas se purificarem (lavar pés, mãos e cara) antes de entrar na mesquita. Também visitamos o Palácio Topkapi, o palácio dos sultões durante a maioria do Império Otomano; a Cisterna da Basílica, uma câmara subterrânea enorme usada para armazenar água durante o Império Bizantino; e várias outras mesquitas.  A mais interessante foi a Yeni Camii, ou "mesquita nova" (como o guia turístico diz, só em Istanbul que uma mesquita de 400 anos de idade é apelidada de mesquita "nova").  Ela não era uma das grandes atrações, e por isso quase que não entramos nela, mas quando fomos tivemos uma surpresa: o interior é coberto com azulejos com muito detalhe, mais do que qualquer outra que vimos.  Apesar do exterior comum (para Istanbul), o interior era lindo. 

Pegamos um ferry que subia o Bósforo, o canal que corta Istanbul, e liga o Mar Negro ao Mar de Marmara (este conectado ao Mediterrâneo ao sul), e passamos o dia a passear de barco, até chegarmos a um forte com vista para o Mar Negro ao norte.  Depois fomos para a zona moderna de Istanbul, a Praça Taksim, ode onde sai uma avenida enorme cheia de lojas modernas (as mesmas que se vêem em qualquer cidade da Europa) e lotada de gente fazendo compras.  Passeamos também pelos mercados principais da cidade antiga: o Grande Bazar, que era gigantesco, e o Bazar de Especiarias, que cheirava muito bem.  No último dia fomos ao Museu Arqueológico, que tinha como atração principal uma coleção de túmulos com ~2500 anos de idades da civilização Lícia, um povo mais ou menos grego da costa sul no Mediterrâneo (a área que fomos visitar depois).

Em Istanbul ficamos em dois hotéis: o Antique Hostel, que foi ótimo (apesar de simples) e eu recomendo, e o Anzac Wooden House, que foi péssimo.  Ficamos impressionados com o fato que os preços em Istanbul eram exatamente os mesmos que aqui em Portugal, desde a acomodação até as refeições.  E ficamos um pouco decepcionados com a comida, e a maioria das refeições ficou deixando a desejar - geralmente um prato era bom e o outro ruim.  Na minha opinião, as melhores refeições eram nas casas de Kebap (carne de vaca e cabra grelhada), especialmente os que vendiam Kebaps na rua.  Por exemplo, um dos meus preferidos foi o "Ortaklar Iskender Kebap", em uma rua escondida perto de Cemberlitas.  Nós entramos nele por acaso, porque quando passamos em frente o cheiro estava muito bom e haviam muitos turcos sentados na frente; parecia um restaurante para os turcos, e não para os turistas.  Outro preferido foi pela localização, não pela comida: um jantar romântico no Doy-Doy, em um terraço com vista para a Mesquita Azul.  Mas a melhor comida de todas foi na pensão Akay em Patara (na região de Fethyie) - aí sim comemos bem!

Como podem ter visto pela descrição, Istanbul, e a Turquia ao todo, é um lugar com muita de história, com uma sucessão de Impérios e nações (Lícios, Gregos, Romanos, Bizantinos, Otomanos, e Turcos).  Istanbul é também uma cidade que liga a Europa a Ásia, e está dividida pelo canal do Bósforo, com uma margem em cada continente.  Ela é uma mistura de culturas, e para exemplificar isso nós vemos mulheres vestidas dos pés as cabeças de preto e só com os olhos de fora; mulheres vestidas com pouca roupa, como qualquer brasileira ou portuguesa com este calor; e mulheres vestidas em roupas em um espectro contínuo de um a outro.  Para me situar melhor no país e na história, peguei um romance histórico que se passa na Turquia, recomendado pelo guia turístico.  O livro era Birds without Wings, de Louis de Bernières, e se passa da virada do século até a guerra da independência da Turquia.  O livro é muito bom, e ensina um bocado sobre a história e cultura do país.  Do provérbio fictício: "Man is a bird without wings, and birds are men without sorrows" (="homem é um pássaro sem asas, e pássaros são homens sem mágoas").  Por coincidência, a história se passa na região de Fethyie, para onde fomos depois de Istanbul, e portanto estava doido para ir e ver as coisas descritas no livro.   O relato do resto da viagem está no posto seguinte, Patara, Kas e Saklikent.

Para verem as fotos da viagem, clique nas fotos acima ou nos links abaixo:

Álbum grande (105 fotos)

Álbum pequeno (37 fotos)

Sunday, May 23, 2010

São Tiago do Campo de Estrelas

20100523_Santiago_de_Compostela_048 No fim-de-semana passado, eu fui com a Ines a Santiago de Compostela, na Espanha, onde ela foi dar um seminário.  Santiago fica na Galícia, que não apenas é logo ao norte de Portugal, mas também é muito próxima culturalmente – lá eles falam galego, que parece mais com português do que com castelhano. 

O centro histórico de Santiago é lindíssimo, com prédios de granito e paredes brancas.  As ruas são estreitas, com muitas arcadas e varandas, e o chão é coberto de blocos de granito também.

Santiago é supostamente a terceira cidade mais santa do mundo para a igreja católica, depois de Jerusalém e Roma.  Ela é o destino final dos Caminhos de Santiago, rotas para peregrinos religiosos desde a Idade Média.  A cidade ainda hoje está cheia de peregrinos e turistas

Nós demos sorte na nossa visita porque 2010 é um ano de Jubileu, o que acontece sempre que o dia de São Tiago cai num domingo.  Nestes anos, quem entra pela porta recebe uma Indulgência Plenária, o que significa que o castigo que a pessoa iria pagar no purgatório antes de ir pro céu é cancelado.

O Dezaseis, um restaurante ótimo recomendado pelo Jose, o nosso anfitrião na universidade, era muito bonito.  Lá comemos um polvo grelhado, típico da região, que foi a melhor que tivemos em Santiago.  Ah, e também foi a minha primeira vez na Espanha!  Quero ver se finalmente começo a viajar pela Europa.

Para ver fotos da viagem, clique aqui ou na foto acima.

Thursday, April 15, 2010

Comida Indiana

2008_India_Journal_Luiz_and_Ines_Cooking_Lesson_v2_opt A Ines acaba de partir para a India ontem, onde ela vai passar quase 3 semanas trabalhando no Tata Institute em Mumbai.  Ela foi trabalhar com o Michael, o colega com que ela trabalhava na Brown durante o doutoramento.  Estou com bastante inveja, porque ela vai passar essas 3 semanas comendo comida indiana, que é minha preferida. 

Como eu sempre digo quando me perguntam, o que faz falta dos Estados Unidos é a disponibilidade de restaurantes internacionais, de boa qualidade e razoavelmente baratos.  Eu e a Ines começamos a procurar restaurantes tailandeses e indianos aqui em Portugal, mas eles têm sido apenas razoáveis (com excessão de um dos tailandeses, que era bom mesmo), e com preço alto.  É como a Ines diz: como os Americanos não tinham comida boa, o jeito era importar; já em Portugal…

Bem, apesar de não achar bons restaurantes indianos aqui em Portugal, ainda dá para cozinhar em casa:  achei um mercado com várias lojinhas indianas, e deu para reencher o estoque.  Agora só falta o tempo.

Quando eu fui para a India com a Ines em 2008, nós fizemos um pequeno curso (1 dia) de culinária em Udaipur.  O curso foi com a mulher do dono do hotel – eles nos levaram para a casa deles, juntos com mais uns dois casais, onde passamos a manhã aprendendo a fazer vários pratos indianos, que comemos no almoço.  Claro que só aprendemos mesmo porque eu passei o tempo todo fazendo perguntas e pedindo para fazer as coisas eu mesmo (“posso rolar a massa?”, “as bolinhas são assim?”, “deiza eu ver a consistência disso”, etc…) enquanto os outros só olhavam.  E claro que só nos lembramos de alguma coisa porque a Ines anotou tudo em detalhe no nosso diário de viagem.

Para verem as receitas que aprendemos, é só clicar aqui ou na foto acima para abrir o nosso diário de viagem.  Também podem vê-lo na seção “Luiz’s Stuff”, no link na barra direita do meu blog ou na minha homepage.

Saturday, March 20, 2010

Whitby à Luz do Dia

20100217_Whitby_in_Daylight_4805 Amanhã volto a Inglaterra, para outro shift (plantão?) com o detector ZEPLIN-III na mina em Boulby.  O detector ZEPLIN-III é um experimento de detecção direta de Matéria Negra, e deve ser feito em grande profundidade debaixo da terra para protegê-lo dos ráios cósmicos, muito abundantes na superfície.  O detector está instalado em Boulby, uma mina de sal situada 1 km abaixo da superfície terrestre.  Como a mina é ativa, nós temos que descer para o laboratório junto com os mineiros, ainda antes do Sol nascer.  Infelizmente, não temos os mesmos benefícios: enquanto eles saem as 3-4 da tarde, nós ficamos lá embaixo até as 7-8 da noite.  Por isso, quase não se vê a luz do Sol quando se tem um shift lá no inverno, quando os dias são curtos.  Mesmo quando decidimos que estamos trabalhando muito, e resolvemos que merecemos um domingo relaxado, podendo descer ao lab as 9 da manhã (tardíssimo!), não é garantia que veremos o Sol – saímos do nosso hotel em Whitby (o Esklet, à 20 minutos da mina) e nos deparamos com uma neblina praticamente opaca! Lembrem-se, isto é a Inglaterra, um dia somente nublado é considerado ótimo tempo.  Esta falta de Sol é até apropriada: afinal, Whitby é famosa como a cidade em que o Drácula chegou a Inglaterra, na história do Bram Stoker.  E considerando a neblina e as noites longas; as ruas estreitas, escuras e labirínticas; e a vista das ruínas do mosteiro na colina logo acima da cidade, a cidade parece o lugar ideal para um vampiro!

Pois, no meu último shift estive lá duas semanas, e por alguma razão é proibido fazer mais do que 12 dias diretos no subsolo (as pessoas enlouquecem?).  Então tive que tirar um dia de folga, e finalmente tive a oportunidade de ver a cidade a luz do dia.  É realmente uma cidadezinha muito pitoresca, e até estava cheia de turistas.   A cidade se espalha em volta da foz do rio Esk, e as margens do rio sobem rapidamente para um planalto, com falésia do dois lados do rio.  As vistas são muito bonitas, e o tempo bom (choveu muito pouco) fez o passeio muito agradável.  Tirei várias fotos, especialmente das ruinas do mosteiro acima da cidade, que lhe dão um ar gótico.  Não pude resistir e comprei o livro Drácula para ler – eles vendem por 2 libras lá.  Foi muito legal ler as parte que se passam em Whitby.  Apesar de se passar há mais de 100 anos atrás, a descrição da cidade e de coisas específicas (o mosteiro, a igreja com as escadarias, o porto, as pontes, a praça, os sotaques, etc…) ainda é exatamente a mesma de hoje.  Foi muito legal ver como o livro usa a geografia local e eventos reais na história da cidade na trama.  Mas fico com vergonha de estar lendo um livro de vampiro, já que vampiros estão na moda e há livros, filmes e shows de TV de vampiros para todo o lado.  Pelo menos tenho desculpa – estou lendo mais pela história do que pela estória.

Na volta pra casa, parei 40 minutos em uma estação em York (a original, não a nova), para a troca de trens.  Aproveitei o tempo para ver uma das atrações locais, uma grande catedral gótica.  Mas só deu para dar uma olhada rápida na cidade antes de ter que correr de volta para o próximo trem.

Para ver o album de fotos de Whitby (e umas poucas de York), clique aqui ou na foto acima.

Monday, January 18, 2010

Jornadas em Braga

20100107_Jornadas_em_Braga_0023.JPG

Como se não bastassem todas as viagens que fizemos nos feriados, na semana seguinte fomos a Braga, uma cidade no norte de Portugal (ainda mais para cima do que o Porto). Eu fui participar de uma conferência lá, e a Ines veio comigo para podermos aproveitar e passear. A conferência é uma reunião bienal do LIP, o instituto em que eu trabalho. Ele tem dois pólos, e a cada 2 anos eles se reúnem para fazer apresentações e colocar todo mundo a par das pesquisas feitas pelos outros.

Braga é uma cidade antiga, com monumentos, igrejas e castelos antigos espalhados pelo centro. A praça central é muito bonita - é um espaço aberto enorme, com vários prédios antigos a volta, inclusive catedrais e uma torre de castelo medieval. O guia turístico que arranjamos lá assinala uma catedral como a atração principal do centro, mas eu não a achei tão interessante - nem a fachada nem o interior eram muito trabalhados ou bonitos. O mais interessante dela era o órgão, o único órgão duplo que já vi. Ele cobria dois lados da área do coro, tinha vários andares, era muito elaborado e coberto de ouro. Era uma monstruosidade de órgão, e me lembrava a descrição do órgão da "Unseen University" do Terry Pratchett, que era tão grande e elaborado que só podia ser tocado pelo bibliotecário-mestre (que era um orangotango e portanto tinha 4 mãos).

Mas o mais legal da viagem foi o Santuário do Bom Jesus, numa colina beirando a cidade. O santuário consistia de uma calçada subindo o pé da colina por um bosque, com fontes d'água e capelas; um conjunto de escadarias, com estátuas e mais capelas; uma igreja, grande e muito trabalhada; e um pátio com 3 capelas, onde acaba o caminho. Este caminho representava as estações da cruz, e as capelas continham estátuas com cenas dos últimos dias de Jesus. O conjunto de escadarias era feito em zig-zag duplo (duas escadas para fora seguidas de duas para dentro), e era também dividido em duas seções: as 5 escadas dos sentidos, e as 3 escadas das virtudes. O conjunto todo era muito elaborado, cheio de símbolos e alegorias. Por exemplo, a calçada inicial tinha fontes d'água, cada uma representando um planeta. As escadarias dos sentidos tinham fontes em que estátuas soltavam água pelos ouvidos, pelos olhos, pelo nariz, etc..., e tinha estátuas de profetas. As escadas das virtudes tinham decorações centrais representado virtudes, e laterais representando emoções. O caminho passava por um jardim mais elaborado, com mas escadarias, estátuas, jardins laterais com vistas, e a catedral. Lá também havia uma esplanada com bares e hotéis. O caminho continuava com mais umas capelas, até chegar a um pátio com as últimas capelas, que tinham cenas da ascensão de Jesus. O santuário era muito elaborado e interessante, e me lembrava um pouco as descrições feitas no "Anjos e Demônios" do Dan Brown.

E quase que esqueci de contar: havia também um "elevador" (um bondinho, na verdade), que sobe a colina ao lado das escadarias. O legal é que ele é movido a água, e foi construído em 1882. O princípio é muito simples, consistindo de dois bondinhos balanceados, um segurando o outro; quando um sobe, o outro desce. A água, trazida de alguma fonte ou riacho por perto, jorra constantemente, enchendo um tanque no bondinho que está parado em cima. Quando chega a hora, eles soltam os freios do bondinho, e o peso da água leva o bondinho para baixo, puxando o outro bondinho (no qual o tanque está vazio) para cima. A Ines foi quem notou o detalhe mais interessante: há um buraco no tanque do bondinho, e ele vai se esvaziando enquanto desce, e deve ficar completamente vazio quando chega ao fim. Eu imagino que os arquitetos devem der calculado exatamente o tamanho do buraco para que a perda d'água seja exatamente a necessária para diminuir a aceleração do bonde enquanto desce, assim evitando que ele vá rápido demais. É uma boa demonstração de física newtoniana para crianças. Quem diria que uma igreja faria uma ótima excursão para uma aula de ciências?

Clique aqui ou na foto acima para verem as fotos.

Friday, January 15, 2010

2,200 km de Feriados

20091224_Natal_Portugal_4650.JPG

Neste ano novo, precisava de umas férias para me recuperar dos feriados. Tive um ótimo natal e ano novo, mas foi um bocado puxado: subimos e descemos o país umas 4 vezes, num total de 2,200 km acumulados neste período. A razão para tanta viagem é que passamos o dia 24 de dezembro com a família do pai da Ines, que mora em Évora (a leste, e um pouto ao sul, de Lisboa), e o dia 25 com a família da mãe da Inês, que se reuniu no Porto (no Norte de Portugal). Na volta, passamos por Coimbra e Setúbal (onde mora a mãe de Ines), antes de irmos para Lisboa. Também não ajudou nada a máquina de café expresso que a Ines ganhou do pai não ter funcionado, nos forçando a voltar a Évora logo após o Natal. De lá, subimos a Coimbra, para ficar uns dias até o Ano Novo, e de lá descemos a Portimão, no Algarve, na costa sul do país. Finalmente, acabamos em Lisboa. Para se ter uma idéia do tanto que rodamos, fiz também um diagrama das nossas viagens - podem vê-lo junto com as fotos.

Mas apesar de tanta correria, tanto o natal quanto o réveillon foram bons. O natal na casa do Pai da Ines (João) foi igual aos 2 que já fui antes há 2 anos e 4 anos atrás: passamos o dia inteiro a fazer doces, com uma ceia grande no final. Novamente, o melhor doces foram as farófias que eu fiz :) . O natal com a família da Ines foi muito animado, e lembrou um pouco do nosso em São Luís. A família é bem grande, e se reuniu toda na casa dos tios dela no Porto. Era para ser um almoço, mas se estendeu o dia todo. Mas foi só de noite que a animação começou mesmo, quando um dos primos puxou um violão, e todo mundo ficou a cantar até tarde da noite (ouvimos no dia seguinte que correu até as 4 da manhã).

2200_km_de_feriados___diagrama.jpgO ano novo também foi familiar: passamos a meia-noite na "avenida litorânea" de Portimão, vendo os fogos de artifício e música ao ar livre (numa outra praia, em que nós não ficamos, tinha até música baiana!). O ano novo foi planejado de última hora: chegou o dia 31 e ainda não tínhamos planos. Tínhamos uma vaga idéia de ir ver fogos-de-artifício em Lisboa, mas a Ines não gostou muito da idéia. No caminho de Coimbra para Lisboa ela sugeriu irmos para o Portimão no Algarve. Graças ao iPhone, pesquisamos se haveria alguma coisa acontecendo lá no ano novo, procuramos hotéis no Google, e logo no primeiro achamos um bom negócio: 55 euros por noite. O único problema era não estarmos preparados - as nossas roupas mais arrumadinhas e casacos mais quentes estavam em Lisboa, assim como desodorantes, escovas de dentes, etc... Mesmo assim, tínhamos o suficiente para uma troca de roupa no carro, e decidimos ir assim mesmo. Chegamos lá a tempo de comer qualquer coisa e ir ver os fogos na Praia da Rocha. No dia seguinte, ficamos a passear - a zona litorânea é muito bonita, e a cidade em volta é muito boa para passear, cheia de restaurantes e cafés.

Faltou só mencionar a foto acima: a nossa primeira árvore de natal! Era uma árvore de verdade, comprada no Ikea, que tem um programa de devolução de árvores após o natal para que elas possam ser replantadas - foi um natal ecológico, para compensar o todo o carbono que soltamos com as viagens.

Clique aqui ou na foto acima para ver as fotos das viagens.

Wednesday, December 23, 2009

Block Island

Agora que terminei o doutorado, vou começar a colocar "posts" sobre coisas que aconteceram em 2009. 20090807_block_island_4548 Para comemorar nossos aniversários, Ines e eu fomos a Block Island no início de Agosto. Block island é uma ilha ao sul de Rhode Island (o estado onde fica Providence). Alguns amigos já nos tinham recomendado a ilha, e disseram que é ótima para se passear de bicicleta. Então fomos para Point Judith (a uma hora de Providence), e lá deixamos o carro e pegamos o "ferry" só com as nossa bicicletas. A ilha é um bocado cara, e uma noite em qualquer hotel no fim-de-semana custa mais de U$200. Minha mãe nos deu o dinheiro de aniversário, e então alugamos um quartinho de frente para o mar por uma noite. Para aproveitar, fomos ao nascer do sol (de Providence) no primeiro dia, e voltamos no pôr-do-sol do segundo dia. A ilha é bonitinha, com praias calmas (só vimos ondas no primeiro dia), falésias, e estradas com vista. Da para visitar todas as praias de bicicleta, e o passeio vale a pena. O mais interessante foi o banho de lama. Logo na primeira praia, há uma poça de lama no meio de uma subida, alimentada por uma pequena fonte d'água (a Ines diz que não era uma poça de lama, mas uma falésia de lama). Eu e a Ines vimos pessoas andando pela praia cobertas de lama, e depois de procurarmos achamos a fonte. A gente "mergulhou", e saímos cobertos de lama. O único ruim, é que como sempre, a água estava um gelo.


Fotos da Viagem para Block Island

Saturday, January 17, 2009

O Rio de Janeiro Continua Lindo (2)

20081211_Rio_Luiz_e_Ines_016 Eu acabei de voltar da viagem de férias para o Brasil.  Eu fui com a Inês no começo de Dezembro; eu fiquei 4 semanas, e ela ficou 3 (ela tinha que voltar logo antes do Ano Novo, para trabalhar).  Meu orientador tinha insistido que eu só ficasse no máximo 4 semanas.  Assim que cheguei fui para o laboratório, para demonstrar que não tinha ficado no Brasil mais do que as 4 semanas.  Mas chegando lá, a reação dos meus colegas foi de "já?!" - pensavam que eu só voltava mais tarde, lá para o dia 10.  Quando falamos com o meu orientador, a reação dele também foi de "já?!" - pelo visto o pessoal está acostumado comigo me atrasando com a volta, ou voltando ao lab depois do que eu tinha dito quando era a viagem.  E pelo visto podia ter ficado um pouco mais no Brasil sem ninguém aqui notar.

Durante essa viagem, eu ia ter que renovar o meu visto  para os EUA, o que adicionou um bocado de complicações ao planejamento.  As viagens já estavam bem caras - a maioria dos dias estava a quase U$3000, mas com muita paciência (principalmente da Inês) dava para achar passagens na faixa dos U$1500.  Começamos a procurar passagens para as cidades com consulados americanos (Recife, São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro), mas estavam todas caríssimas (>R$1000 ida e volta, por pessoa), e também a gente perdia muito tempo com isso.  Tivemos a idéia de parar numa dessas cidades na viagem de ida - e como o Rio de Janeiro era o lugar mais interessante, resolvemos ir por lá.  São Paulo era ligeiramente mais barato, mas como a cidade é muito feia e ambos já estivemos lá, resolvemos que valia pagar um pouco a mais.  Assim a gente marcou uma tarde e um dia no Rio, com uma manhã para resolver a renovação do visto.  Meu avô é assinante de um programa chamado Montreal, no qual ela paga um valor todo mês e ganha um certo número de diárias em hotéis no Brasil inteiro.  Ele me deu duas diárias em um hotel na praia de Copacabana, o Debret, na Av. Atlântica, bem de frente para a praia.  O pessoal do hotel foi muito simpático, e nos ajudou a navegar a cidade (qual ônibus pegar, aonde ir de noite, etc...).

A viagem de ida para o Brasil foi um pouco contubarda - foi a viagem do "quase".  Quase tudo deu errado, mas incrivelmente deu tudo certo. Começou em Providence. A gente tinha que pegar um ônibus para Boston, onde iríamos pegar nosso avião. A gente chegou na estação de ônibus em cima da hora – a Inês foi correndo para o ônibus para pedir que nos esperassem, enquanto eu e o Michael (que ia levar o carro de volta pra casa) descarregávamos as malas. A gente carregou as malas no ônibus, e a inês comprou as passagens, e estava tudo certo, quando eu e a Ines voltamos pro carro só para pegar nossas mochilas e nos despedir do Michael, e o onibus começa a partir sem a gente! Lá vamos nós correndo atrás do onibus, abanando os braços e gritando para ele nos esperar. Felizmente ele não tinha andado muito ainda. O maior problema, entretanto, foi no aeroporto em Boston. Graças a uma tempestade entre Boston e Washington (nosso próximo destino), o avião que vinha de Washington e voltaria para lá está atrasado, e de acordo com a previsão provavelmente chegaríamos atrasados e perderíamos o vôo para o Rio. Se perdessemos o vôo, a gente ia ter que passar a noite em Washington, esperando pelo próximo vôo, 24 horas depois. Como era por causa do tempo, a United Airlines se recusava a ter responsabilidade por qualquer coisa – nem podiam pedir para o vôo para o Rio esperar, nem como iriam pagar hotel em Washington. Mas o pior mesmo é que se eu perdesse esse vôo, eu perdia a hora no consulado americano, e não ia poder renovar o visto – iria ter que viajar pra lá de novo depois, perdendo mais um monte de tempo e dinheiro, sem falar no dia já perdido no Rio a tôa. A gente reclamou bastante, argumentou que como eram várias pessoas no nosso vôo que também iam pro Rio (umas 8) eles deviam instruir o outro avião para nos esperar, mas os agentes da United disseram que não se fazia isso e se recusaram a fazer qualquer coisa – só disseram que o problema era nosso, e que se quisessemos arriscar, talvez ainda desse pra pegar o próximo vôo. Como não havia melhor solução, fomos, numa tensão enorme, torcendo pra chegar a tempo. Chegamos em Washington na hora marcada para decolagem, e ouvimos um aviso sobre o próximo vôo, que não conseguimos enteder nada. A aeromoça disse pra gente correr, e nós corremos, todos os 8 passageiros correndo para o portão de embarque, todos carregados com as malas de mão e casacos. A gente estava no terminal C6, indo para o D4. O C’s foram decrescendo até o 1, e eu pensei “beleza, só faltam mais uns 4”, quando vi que começava do topo – tínhamos que correr do D30 até o D4! Foram mais de meio quilometro, com subidas e corredores sem portões. Parecia uma maratona, a gente ia correndo num desespero, diminuindo para recuperar o folêgo, botando as malas de baixo do braço para correr melhor, jogando água na cara... a Ines ficou logo pra trás numa das subidas, mas desde que um de nós chegássemos, os outros entravam também. Chegou todo mundo, cansados, quase morrendo, bebendo e jogando água na cara – a Ines tava pra ter um troço, acho que demorou um bocado pra gente se recuperar totalmente. No fim das contas eles estavam esperando sim, e ainda ficaram esperando mais uns 15-20 minutos para que nossas malas chegassem. Deu uma raiva imensa da United (e das companhias aéreas americanas em geral, são todas iguais).

Infelizmente, as companhias brasileiras não parecem muito melhor. Depois da nossa estada no Rio (um dia e meio), nós íamos pegar um vôo no sábado de manhã cedo para Sao Luís. Aliás, dois vôos – eu e a Ines íamos separados, por alguma razão esotérica que só as companhias aéreas são capazes de desvendar, ficava mais barato assim. O problema é que aparentemente não haviam marcado um lugar pra Ines no vôo – parecia ter tido um problema de comunicação entre a o site em que compramos o bilhete (Expedia, da Microsoft) e a TAM. Então começa o ritual do agente de chamar alguém com mais experiência, que chama o supervisor, que chama seu supervisor, que leva todo mundo pra conferir noutro balcão, onde ficam olhando para um monitor e fazendo cara feia, até que 30 minutos depois voltam e dizem que tá tudo resolvido. Pelo menos isso! Daí partimos para São Luís, sem maiores problemas (apenas uns atrasos habituais). E chagamos, finalmente, sem ter tido nenhum problema a sério, ao nosso destino final, São Luís; e incrivelmente, com todas as malas!

No Rio de Janeiro, as coisas correram quase bem: estava chovendo. No primeiro dia o tempo ainda chegou a abrir, e deu para aproveitar, mas o segundo dia foi bem feio. A gente chegou no Rio ao meio dia da quinta-feira. A gente tinha planejado pegar o ônibus (um shuttle) para o hotel, mas quando chegamos na frente do aeroporto, um taxista veio nos oferecer uma corrida, e com desconto. Depois de verificarmos que ele realmente estava nos dando um bom preço, e nos certificarmos que não era enrolação, assalto ou rapto (perguntamos a outros taxistas), resolvemos ir de táxi. Numa viagem anterior ao Rio, tinha dado para ver as favelas no caminho entre o aeroporto e a cidade, e eu tinha ficado muito impressionado com a enormidade da situação. Infelizmente, o táxi foi por um caminho diferente, e a daí a Ines não pode ver as favelas. A gente ia ter que ver na volta. O motorista foi bem simpático, conversou bastante e nos contou um bocado sobre o que íamos passando. Também gostou muito do sotaque da Ines, e de perguntar sobre diferenças engraçadas entre o português de Portugal e do Brasil (por exemplo, bicha = fila e puto = criança). Nós fizemos o check-in no hotel, fomos almoçar num self-service perto do hotel, e depois fomos ao Citibank para pagar a taxa do consulado. Depois tínhamos o resto da tarde livre, e aproveitamos para ir ao Pão de Açúcar. Fomos de ônibus mesmo.

20081211_Rio_Luiz_e_Ines_061 O Pão de Açúcar demonstra o que há de melhor no Rio, na minha opinião: aquela geografia dramática, com morros e rochedos íngremes, baías e praias à volta, com a cidade imprensada entre os paredões e mar. A gente pega o teleférico na Praia Vermelha, sobe até o morro da Urca, e de lá pega o segundo teleférico para o topo do Pão de Açúcar. As vistas de cima de ambos são espetaculares – dá pra ver a cidade se espalhando entre os morros (com as favelas os subindo), o Corcovado com o Cristo Redentor em cima, a Baía de Guanabara. Só é pena que está um pouco nublado e a luz não é ideal para fotografias. Depois de uma hora lá em cima, começamos a descer, e vimos um mico (em inglês: “tamarin”) no morro da Urca. Também vimos um rapaz escalando o morro, e descobrimos que existem passeios que escalam o próprio Pão de Açúcar.

De noite saímos pra jantar no Boteco Informal, recomendado pelo guia Lonely Planet, mas a comida não estava nada boa. Na manhã seguinte fui ao Consulado Americano para renovar o meu visto. Correu tudo bem e foi tudo resolvido rapidamente, a minha entrevista era às 8:30 e às 10 já estava indo embora. O plano era pra Ines aproveitar e ir pra praia enquanto eu passava a manhã no consulado, mas lhe deu preguiça e ela ainda estava no quarto quando eu cheguei. A gente foi pra praia, mas o tempo estava nublado e muito feio. Dava pra ver da praia que haviam muitas nuvens em volta do Cristo Redentor, e resolvemos dar um tempo antes de tentar subir o Corcovado. A gente tentou entrar no famoso Copacaba Palace, mas havia um show da Madona na cidade, e ela estava hospedada lá. Na frente do hotel estava um multidão com máquinas apontadas pras janelas, tentando ver (e capturar) alguma coisa. Haviam repórteres acampados lá o tempo todo – na noite anterior eu passei em frente do Palace de táxi, e eles ainda estavam na calçada, de máquinas pro ar. Por causa disso tudo, o hotel só estava deixando hóspedes entrarem, e tivemos que desistir.

Nós fomos ao Corcovado depois do almoço, mas ainda parecia estar super nublado. Haviam vários serviços de táxi e vans particulares para fazer a subida, mas a gente decidiu fazer o passeio “tradicional” ao Cristo – pegar o ônibus para a estação do Cosme Velho, e de lá pegar o trem para o topo do Corcovado. O único problema é que o ônibus levou mais de uma hora pra chegar lá. Depois a gente descobriu que podíamos ter pegado o metro até bem perto da estação, e um ônibus para o último trecho – da próxima vez a gente já sabe. Chegando na estação, vimos que o tempo ainda estava ruim – eles têm um monitor mostrando o topo em tempo real, só que não dava pra ver nada, estava tudo branco, só de vez em quando aparecia alguma coisa. A gente esperou uma hora pra ver se melhorava, mas como não pareceu que ia abrir, decidimos subir assim mesmo. A viagem de trem foi lega, a vegetação do Corcovado é muito bonita e de vez em quando se tem boas vista, mas a medida que fomos chegando ao topo a névoa começou a aparecer e a engrossar, até que pareceu que estávamos entrando em uma nuvem. Quando saímos do trem estava chovendo mesmo, e com bastante vento. Assim que se sai do trem a gente sobe por um elevador (uns 2 andares), e lá em cima deu pra ver a situação – chuva, muito vento, e um grupo de umas 20 pessoas se espremendo debaixo de um toldo de uma lojinha ao pé da escada que sobe ao Cristo (+ 1 andar). A Ines entrou em pânico e ameaçou descer, mas eu a convenci a andar pra ver se agente achava algum lugar pra se abrigar da chuva. Passando em frente a lojinha e indo em direção aos banheiros vimos que tinha sim um barzinho no topo do Corcovado. Ele estava quase vazio – por que aquele povo todo estava se espremendo embaixo de um toldozinho quando podiam estar aqui sentados, abrigados e quentes, esperando a chuva passar? Não sei, mas foi isso que fizemos. A Ines estava com vergonha de ficar, mas eu a convenci que mesmo que só pedíssemos um café, ele era caro o suficiente para validar nossa estada ali. Quando o tempo melhorou um pouco, corremos para fora do bar rpa tentar ver alguma coisa enquanto desse.20081211_Rio_Luiz_e_Ines_106 A Ines teve a idéia brilhante de para na lojinha e comprar capas de chuva, o que nos salvou de ficar completamente encharcados depois. Finalmente chegamos ao Cristo, tiramos fotos, corremos em volta ver a cidade embaixo enquanto havia buracos nas nuvens, e tentamos aproveitar um pouco a vista. Infelizmente, depois de uns 20 minutos lá em cima, veio um funcionário avisar que estavam evacuando o Corcovado por causa da tempestade que estava começando. A chuva começou a aumentar novamente, e tivemos que pegar o trem de volta. Pelo menos tínhamos visto o Cristo de perto, ainda que debaixo d’água.

Nessa noite jantamos crepes no Yonza, também recomendado no guia, e quase tivemos uma overdose de queijo. O guia recomendava o crepe de picanha com gorgonzola – pedimos esse, e um de quatro queijos. A picanha era uma carne fatiada fina, parecia “pastrami”, e ambos os crepes eram carregados de queijo, ficou demais. O Lonely Planet não foi muito bom com suas recomendações gastronômicas – a gente deu mais sorte comento nos restaurantes self-service no almoço.

No dia seguinte fomos cedinho para o aeroporto, e seguimos para São Luís. O resto da viagem conto depois.

Para ver as fotos desta viagem, clique aqui no na foto acima.

Sunday, November 09, 2008

Outono na Nova Inglaterra

20081102_Mount_Wachusetts_Foliage_Watch_052 Domingo passado, eu e a Ines fomos passear por Massachusetts, para ver as árvores mudando de cor com as estações.  Eu já moro na região da Nova Inglaterra há muito tempo - primeiro em Worcester, Massachusetts, e agora em Providence, Rhode Island.  É uma região muito fria no inverno, e extremamente quente e úmida no verão (ruim pela falta de praias boas), mas que fica muito bonita no outono, quando as folhas das árvores mudam de cor e fica tudo muito colorido: vermelho, laranja, amarelo, e um pouco de verde.  Para apreciar melhor a paisagem, a gente decidiu procurar um lugar alto de onde houvesse vista, e o lugar mais próximo era Mount Wachusetts, em Worcester.  Fomos para lá, e apesar do frio, foi uma caminhada fácil para subir o monte, de apenas uma hora.  O monte em si já estava um pouco "careca", mas a vista lá de cima foi ótima - dava até para ver Boston!  Mas acho que o melhor mesmo foi quando dirigimos para lá, quando passamos por uma variedade enorme de paisagens e de cores.

Homestake

20080929_Homestake_Meeting_IMG_025 Eu viagei com o Rick para visitar a mina de Homestake na South Dakota.  Essa é a mina em que vamos fazer o nosso novo experimento, LUX.  Nós fomos lá para uma reunião com o pessoal da mina, para acertar os detalhes da instalação do experimento, que será em Dezembro-Janeiro.  A região é muito montanhosa, e as vistas da entrada da mina (no topo de um morro) eram uma beleza.  A mina fica perto da cidade de Deadwood, famosa por ser uma cidade do "Gold Rush" (corrida do ouro) no Século 19, e onde o Wild Bill viveu.  Hoje a cidade é cheia de casinos, e todos os prédios (hotéis, restaurantes, bares, ...) estão repletos de máquinas caça-níqueis.  A mina também não fica muito longe do Monte Rushmore - a montanha com as cabeças de presidentes esculpidas.  Da próxima vez talvez tenha tempo de ir lá.

Velejando

IMG_0008  O Rick (meu orientador) nos convidou para ir velejar com ele.  Fomos eu e a Ines, mais o Carlos (um colego do lab) e a namorada dele, a Marie Laure.  O Rick tem um catamarã pequeno, e dava para levar 3 pessoas de cada vez.  Infelizmente o dia estava muito nublado, enevoado, e cinzento em geral.  Mas mesmo assim, o passeio foi legal.