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Friday, December 17, 2010

Parrrri

Paris - Luiz, em frente a Torre Eiffel

No começo de Novembro houve um fim-de-semana prolongado, e eu e a Ines resolvemos aproveitá-lo para fazer uma pequena viagem a Paris! Apesar de curta, a viagem não foi corrida e pudemos passear relaxadamente. Andamos pra todo lado, fizemos e vimos um pouco de tudo. Fomos ao Arco do Triunfo e descemos passeando pela Champs-Élysées, a avenida mais chique de Paris e portanto do mundo; fizemos um passeio de barco pelo rio Seine, parando na Catedral de Notre Dame para admirar os gárgulas; subimos a Torre Eiffel, com vistas espetaculares pra toda a cidade; assistimos a um pôr-do-Sol da cúpula da Basílica de Sacre Coeur, com vista para a Torre; fomos ao Museu de L’Orangerie, ver os Lírios d’água do Monet (tem quadros dos lírios pelo mundo todo, mas são só ensaios – o produto final estava aqui); e fomos ao Louvre, onde realmente tivemos que correr o dia todo para conseguir ver uma pequena fração das suas obras de arte.Paris - Luiz e Ines num passeio de barco no Seine, em frente da Catedral de Notre Dame, a famosa catedral gótica de 1163

Pra minha surpresa, outra grande atração foi a comida, desde a famosa “haute cuisine”, com pratos mais pra ver do que comer, até os lanches, como o cachorro-quente francês (um monte de queijo delicioso por cima) até os nossos preferidos: crepes. Comemos crepes todo dia, de todo tipo, com nutella, com manteiga e canela, e até com queijo feta e berinjela; teve um dia que comemos crepes três vezes. Também demos muita sorte com um restaurante indiano, que era perto do hotel, e um outro marroquino (só de escrever está me dando fome). A irmã da Ines também foi com o namorado, mas a viagem deles deu problema no início, e depois só nos encontramos duas das noites. Mas numa dela saímos com umas amigas que estavam estudando lá para comer fondue (de carne e de queijo, e sem limites), e depois fomos a uma boate, a Favela Chic – brasileira!

A Ines se divertiu bastante com o meu francês – aliás, o minha completa e profunda ignorância de qualquer coisa em francês, e a incapacidade de pronunciar qualquer coisa.  Parece que o fundamental de se falar francês é não pronunciar a segunda metade da maioria das palavras, e enrolar muito os R’s, que nem no título do post…  Felizmente os franceses foram muito mais simpáticos do que lhes dão crédito, e aceitaram falar em inglês sempre que necessário.

A viagem foi ótima, e nem saiu muito cara – evitamos comer em lugares muito caros (mas sem deixar passar oportunidades), e até conseguimos ficar num hotel por menos de 50 euros por noite (com um lugar com croissants deliciosos e baratos bem pertinho – estou ficando com fome de novo!).

Para verem as fotos, cliquem aqui ou nas fotos acima.  (Há tambem um album maior, com mais de 60 fotos)

Saturday, August 07, 2010

Patara, Kas e Saklikent

Kas, Turquia - Passeio de barco pelo Mediterrâneo - O barco parou várias vezes em enseadas para podermos banhar e mergulhar no mar Eu e a Ines fomos passar ~1 semana de férias na Turquia neste verão.  Nós passamos 5 dias em Istanbul, a maior cidade do país, e 3 dias na costa sul do país, na região de Fethiye.  Para ler sobre a primeira parte da nossa viagem a Turquia, veja o post anterior: Istanbul (Not Constantinople).

Depois de 4 dias em Istanbul, eu e Ines pegamos um vôo para o sul.  A gente tinha decidido que queria pegar uns dias de praia, e pesquisamos no Google qual era a melhor praia da Turquia.  Vários "sites" indicaram Patara, uma praia de 18km de extensão no Mediterrâneo, perto da cidade de Fethiye.  Escolhemos ao acaso uma pensão na vilazinha, a Akay Pension, e só quando chegamos lá é que descobrimos que a pensão era muito bem recomendada na internet, especialmente por causa da ótima comida.  Descobrimos isso logo que chegamos: nosso primeiro jantar lá (uma "caçarola" de galinha) foi a melhor refeição da viagem.  Os donos eram um casal muito simpático e atencioso, e Kazim (o dono) nos ofereceu muitas dicas e ajuda com o planejamento dos nossos dias lá.  Se nós soubéssemos antes como era bom em Patara, tínhamos ficado muito mais tempo - ficamos muito arrependidos de ter ficado tão pouco. 

Patara era uma cidade do Império Romana, onde nasceu o famoso bispo Santo Nicolau no século IV, em quem é baseado o personagem do Papai Noel.  Antes do Império Romano, a região era habitada pelos Lícios, um povo ligado aos gregos, por volta dos séculos 7 a 4 antes de Cristo.  Aliás, aprendemos que muitas das histórias e mitos gregos se passaram na costa oeste Turquia, e mais especificamente na região da Lícia, onde estávamos.  Por exemplo, Tróia, da famosa guerra de Tróia narrada na Ilíada, ficava na Turquia.  O Rei Midas, aquele do toque de ouro, era um rei da Lícia, na região onde ficamos.  Também é da Lícia o Rei Gordio, que crio o nó górdio, um nó impossível de ser desamarrado, de tal maneira que um oráculo previu que quem desatasse o nó conquistaria a Ásia.  Diz a lenda que Alexandre o Grande, quando passava por lá, foi examinar o nó e depois de muito pensar, puxou a espada e cortou o nó; logo depois ele conquistaria todo o mundo conhecido.  E há finalmente a história do velhinho generoso que dava presentes as crianças órfãs e pobres... 

Kas, Turquia -  Praia de Kaputas, entre Patara e Kalkan (uma cidadezinha turística), com águas de um azul muito bonito, quase turquesaNo primeiro dia em Patara fomos a praia.  É uma boa caminhada para chegar a praia, porque a estrada passa por uma área protegida por causa das ruínas de Patara.  A praia é muito longa e calma, e passamos o dia pegando sol e relaxando.  Na volta, passeamos pelas ruínas, que estão sendo restauradas.  O que mais chama a atenção é o anfiteatro romano, enorme e muito bem conservado.  Também haviam restos de palácios, casas e de uma basílica (eu acho - as coisas não estavam descritas em lugar nenhum).  Dava para ver que o trabalho de restauração sendo feito: haviam fileiras de pedras organizadas por tamanho e formato, ou por detalhes, tomando um campo inteiro.  Algumas tinha pedaço de um arco, outras tinham um linha que parecia ser a fachada de um telhado, etc...  Era como um quebra-cabeça gigante, remontando todas aquelas pedras em palácios, casas, ruas, colunas... Patara, Turquia - Patara foi uma cidade durante o Império Romano, e seu residente mais famoso foi o bispo Santo Nicolau do século IV, ou Saint Nicholas, que eventualmente ficou conhecido como Papai Noel (sim, é ele mesmo!).  Sobraram muitas ruínas desta época, como os arcos de entrada da cidade. E gigante mesmo, pois vimos que as pedras eram numeradas, e encontramos algumas com os números bem além dos 880,000!  Também havia um cemitério Lício sendo desenterrado, com os túmulos (sarcófagos em formato de templos) construídos acima da terra.  Estes eram ainda mais antigos do que as ruínas romanas, com uns 2,500 anos de idade.

Kas, Turquia - Passeio de barco pelo Mediterrâneo - O barco ia até as ruinas submersas de Kelkova, uma cidade pré-romana que afundou em um terremoto.  Só é pena que não podemos mergulhar lá - é uma área protegida.No dia seguinte fomos a Kas para pegar um passeio de barco.  Este tipo de passeio nesta região era muito recomendado pelo guia turístico, pelo pessoal da pousada e até pela revista de bordo do avião.  As estradas para Kas era cheia de curvas e contracurvas, beirando um desfiladeiro que dava pro mar.  Apesar de muito bonito, chegamos em Kas em cima da hora, e não pudemos pesquisar muito antes de escolher um barco, pois todos partiam em menos de 10 minutos.  Pegamos um que parecia bonitinho (não queríamos uma monstruosidade de fibra, mas algo de madeira, mais tradicional), e demos sorte na nossa escolha, pois foi o barco que voltou mais tarde, as 7 da noite.  O barco parou 5 vezes para banharmos no mar, geralmente em enseadas com nada a volta.  A água era de um azul perfeito, e limpíssima.  O destino final da viagem era Kelkova, as ruínas de uma cidade antiga submersa depois de um terremoto.  A água era tão limpa que dava para ver.  Só era pena não que podíamos mergulhar lá (era uma zona protegida)!   Felizmente paramos logo depois em outras ruínas onde podíamos mergulhar, e vimos paredes e fundações de estruturas antigas.  Também paramos numa vilazinha com um forte romano no topo, mas não pudemos entrar porque deixamos o dinheiro no barco.  O guarda nos indicou um lugar com ótima vista, e a escalada não foi perdida.  Lá de cima avistamos um dos túmulos Lícios dentro d'água, e corremos lá para ver de perto antes que o barco partisse.  Demos sorte, fomos uns dos poucos dos passageiros que viu o túmulo.

Nas noites depois da praia de Patara e depois do passeio de barco, passeamos por Kalkan e Kas, respectivamente.  As duas era cidadezinhas turísticas, mas que tinham obviamente crescido muito nos últimos 5 anos por causa do turismo.  Eram uma mistura de simpáticas com "trashy" (por causa de alguns dos turistas lá).  Mas Kalkan era muito bonita, e foi pena não termos tido muito tempo para aproveitar lá.

Saklikent, Turquia -  O desfiladeiro de Saklikent é enorme, com 18km de comprimento e 80 metros de altura em algumas partes.  Nele corre um rio muito limpído, mas com águas geladas No último dia nós fomos para o desfiladeiro de Saklikent, que o Kazim (da Akay Pension) nos recomendou.  O desfiladeiro é muito legal, com paredões altíssimos (até 80 metros) e muito verticais.  A gente entra pela saída do rio que corre dentro dele, por umas passarelas que passam por cima das corredeiras.  Daí a gente tem que atravessar o rio, que é geladíssimo.  A maior parte d'água vem por um canal subterrâneo, e depois da travessia é só um riachinho calmo.  Nós caminhamos por umas boas duas horas, passando por vários pontos difíceis, onde tínhamos que escalar as pedras contra o rio.  Depois de passarmos por um parte particularmente difícil, em que escalamos uma cachoeira com muito pouco apoio, decidimos voltar.  Havia um grupo de voltando, uns tipos que tinham escalado as partes mais difíceis com bem menos dificuldade que a gente, que disseram que ainda não tinham chegado ao fim, mesmo tendo caminhado mais uns 20 minutos.  Pelo que vimos, os poucos que tinham vindo esta distância desistiam logo antes da cachoeira, e portanto nos pareceu uma vitória termos ido além.  Deixamos os nossos nomes escrito em lama na parede :), e demos meia volta.  Só agora enquanto estava escrevendo é que li que o desfiladeiro tem 18km de extensão - ia demorar bem mais para chegarmos ao fim...  Na saída, paramos para almoçar no rio - literalmente.  Tem um restaurante que montou mesas em cima da água, com plataformas de madeira logo acima da superfície.  Era bem legal.  No caminho para o aeroporto, apesar de estarmos muito apertados com o tempo, decidimos pegar um pequeno desvio para Tlos, uma das maiores cidades da Lícia, para vermos os túmulos esculpidos em rocha na face das colinas.  Eu já tinha ouvido falar bastante destes túmulos pré-romanos, que são uma característica da região, e não queria ir embora sem vê-los.  Nós só paramos na entrada de Tlos uns 10 minutos, mas deu para ver os túmulos, e também o começo de uma cidade enorme em ruínas.  Tivemos que correr para o aeroporto depois, mas valeu a pena.

Para verem as fotos da viagem, clique nas fotos acima ou nos links abaixo:

Álbum grande (105 fotos)

Álbum pequeno (37 fotos)

Friday, August 06, 2010

Istanbul (Not Constantinople)

Istanbul, Turquia - Ines em frente a Mesquita Azul (de 1616), no Sultanahmet, o centro histórico com as mesquitas e palácios mais importantes.  Apesar do nome, ela não é azul por fora, mas por dentro.  É a mesquita com mais minaretes (as torres pontudas), e por isso é facilmente reconhecida mesmo de longe. Para a letra da música: Istanbul (Not Constantinople)

Eu e a Ines fomos passar ~1 semana de férias na Turquia neste verão.  Nós passamos 5 dias em Istanbul, a maior cidade do país, e 3 dias na costa sul do país, na região de Fethiye.  Para o relato da segunda parte da viagem, veja o post seguinte, Patara, Kas e Saklikent.

A atração principal de Istanbul são as mesquitas antigas, que enfeitam a cidade toda.  As principais eram a Mesquita Azul e a Aya Sofya, que visitamos logo no primeiro dia.  A Mesquita Azul (de 1616AD) tem um exterior muito elaborado, e domina a vista da cidade com seus seis minaretes (torres pontudas).  A Aya Sofya, de 537AD, era uma igreja que foi convertida em mesquita, e por isso tem um aspecto estranho por fora.  Mas o interior dela é enorme, e muito bonito - ela tinha o maior domo e a maior nave do mundo antes da construção da Basílica de São Pedro no Vaticano. Istanbul, Turquia - Luiz em frente a fonte no pátio da Mesquita Azul.  A maioria das mesquitas que vimos tem um pátio com arcadas e domoscom uma fonte no meio para as pessoas se purificarem (lavar pés, mãos e cara) antes de entrar na mesquita. Também visitamos o Palácio Topkapi, o palácio dos sultões durante a maioria do Império Otomano; a Cisterna da Basílica, uma câmara subterrânea enorme usada para armazenar água durante o Império Bizantino; e várias outras mesquitas.  A mais interessante foi a Yeni Camii, ou "mesquita nova" (como o guia turístico diz, só em Istanbul que uma mesquita de 400 anos de idade é apelidada de mesquita "nova").  Ela não era uma das grandes atrações, e por isso quase que não entramos nela, mas quando fomos tivemos uma surpresa: o interior é coberto com azulejos com muito detalhe, mais do que qualquer outra que vimos.  Apesar do exterior comum (para Istanbul), o interior era lindo. 

Pegamos um ferry que subia o Bósforo, o canal que corta Istanbul, e liga o Mar Negro ao Mar de Marmara (este conectado ao Mediterrâneo ao sul), e passamos o dia a passear de barco, até chegarmos a um forte com vista para o Mar Negro ao norte.  Depois fomos para a zona moderna de Istanbul, a Praça Taksim, ode onde sai uma avenida enorme cheia de lojas modernas (as mesmas que se vêem em qualquer cidade da Europa) e lotada de gente fazendo compras.  Passeamos também pelos mercados principais da cidade antiga: o Grande Bazar, que era gigantesco, e o Bazar de Especiarias, que cheirava muito bem.  No último dia fomos ao Museu Arqueológico, que tinha como atração principal uma coleção de túmulos com ~2500 anos de idades da civilização Lícia, um povo mais ou menos grego da costa sul no Mediterrâneo (a área que fomos visitar depois).

Em Istanbul ficamos em dois hotéis: o Antique Hostel, que foi ótimo (apesar de simples) e eu recomendo, e o Anzac Wooden House, que foi péssimo.  Ficamos impressionados com o fato que os preços em Istanbul eram exatamente os mesmos que aqui em Portugal, desde a acomodação até as refeições.  E ficamos um pouco decepcionados com a comida, e a maioria das refeições ficou deixando a desejar - geralmente um prato era bom e o outro ruim.  Na minha opinião, as melhores refeições eram nas casas de Kebap (carne de vaca e cabra grelhada), especialmente os que vendiam Kebaps na rua.  Por exemplo, um dos meus preferidos foi o "Ortaklar Iskender Kebap", em uma rua escondida perto de Cemberlitas.  Nós entramos nele por acaso, porque quando passamos em frente o cheiro estava muito bom e haviam muitos turcos sentados na frente; parecia um restaurante para os turcos, e não para os turistas.  Outro preferido foi pela localização, não pela comida: um jantar romântico no Doy-Doy, em um terraço com vista para a Mesquita Azul.  Mas a melhor comida de todas foi na pensão Akay em Patara (na região de Fethyie) - aí sim comemos bem!

Como podem ter visto pela descrição, Istanbul, e a Turquia ao todo, é um lugar com muita de história, com uma sucessão de Impérios e nações (Lícios, Gregos, Romanos, Bizantinos, Otomanos, e Turcos).  Istanbul é também uma cidade que liga a Europa a Ásia, e está dividida pelo canal do Bósforo, com uma margem em cada continente.  Ela é uma mistura de culturas, e para exemplificar isso nós vemos mulheres vestidas dos pés as cabeças de preto e só com os olhos de fora; mulheres vestidas com pouca roupa, como qualquer brasileira ou portuguesa com este calor; e mulheres vestidas em roupas em um espectro contínuo de um a outro.  Para me situar melhor no país e na história, peguei um romance histórico que se passa na Turquia, recomendado pelo guia turístico.  O livro era Birds without Wings, de Louis de Bernières, e se passa da virada do século até a guerra da independência da Turquia.  O livro é muito bom, e ensina um bocado sobre a história e cultura do país.  Do provérbio fictício: "Man is a bird without wings, and birds are men without sorrows" (="homem é um pássaro sem asas, e pássaros são homens sem mágoas").  Por coincidência, a história se passa na região de Fethyie, para onde fomos depois de Istanbul, e portanto estava doido para ir e ver as coisas descritas no livro.   O relato do resto da viagem está no posto seguinte, Patara, Kas e Saklikent.

Para verem as fotos da viagem, clique nas fotos acima ou nos links abaixo:

Álbum grande (105 fotos)

Álbum pequeno (37 fotos)

Sunday, May 23, 2010

São Tiago do Campo de Estrelas

20100523_Santiago_de_Compostela_048 No fim-de-semana passado, eu fui com a Ines a Santiago de Compostela, na Espanha, onde ela foi dar um seminário.  Santiago fica na Galícia, que não apenas é logo ao norte de Portugal, mas também é muito próxima culturalmente – lá eles falam galego, que parece mais com português do que com castelhano. 

O centro histórico de Santiago é lindíssimo, com prédios de granito e paredes brancas.  As ruas são estreitas, com muitas arcadas e varandas, e o chão é coberto de blocos de granito também.

Santiago é supostamente a terceira cidade mais santa do mundo para a igreja católica, depois de Jerusalém e Roma.  Ela é o destino final dos Caminhos de Santiago, rotas para peregrinos religiosos desde a Idade Média.  A cidade ainda hoje está cheia de peregrinos e turistas

Nós demos sorte na nossa visita porque 2010 é um ano de Jubileu, o que acontece sempre que o dia de São Tiago cai num domingo.  Nestes anos, quem entra pela porta recebe uma Indulgência Plenária, o que significa que o castigo que a pessoa iria pagar no purgatório antes de ir pro céu é cancelado.

O Dezaseis, um restaurante ótimo recomendado pelo Jose, o nosso anfitrião na universidade, era muito bonito.  Lá comemos um polvo grelhado, típico da região, que foi a melhor que tivemos em Santiago.  Ah, e também foi a minha primeira vez na Espanha!  Quero ver se finalmente começo a viajar pela Europa.

Para ver fotos da viagem, clique aqui ou na foto acima.

Thursday, April 15, 2010

Comida Indiana

2008_India_Journal_Luiz_and_Ines_Cooking_Lesson_v2_opt A Ines acaba de partir para a India ontem, onde ela vai passar quase 3 semanas trabalhando no Tata Institute em Mumbai.  Ela foi trabalhar com o Michael, o colega com que ela trabalhava na Brown durante o doutoramento.  Estou com bastante inveja, porque ela vai passar essas 3 semanas comendo comida indiana, que é minha preferida. 

Como eu sempre digo quando me perguntam, o que faz falta dos Estados Unidos é a disponibilidade de restaurantes internacionais, de boa qualidade e razoavelmente baratos.  Eu e a Ines começamos a procurar restaurantes tailandeses e indianos aqui em Portugal, mas eles têm sido apenas razoáveis (com excessão de um dos tailandeses, que era bom mesmo), e com preço alto.  É como a Ines diz: como os Americanos não tinham comida boa, o jeito era importar; já em Portugal…

Bem, apesar de não achar bons restaurantes indianos aqui em Portugal, ainda dá para cozinhar em casa:  achei um mercado com várias lojinhas indianas, e deu para reencher o estoque.  Agora só falta o tempo.

Quando eu fui para a India com a Ines em 2008, nós fizemos um pequeno curso (1 dia) de culinária em Udaipur.  O curso foi com a mulher do dono do hotel – eles nos levaram para a casa deles, juntos com mais uns dois casais, onde passamos a manhã aprendendo a fazer vários pratos indianos, que comemos no almoço.  Claro que só aprendemos mesmo porque eu passei o tempo todo fazendo perguntas e pedindo para fazer as coisas eu mesmo (“posso rolar a massa?”, “as bolinhas são assim?”, “deiza eu ver a consistência disso”, etc…) enquanto os outros só olhavam.  E claro que só nos lembramos de alguma coisa porque a Ines anotou tudo em detalhe no nosso diário de viagem.

Para verem as receitas que aprendemos, é só clicar aqui ou na foto acima para abrir o nosso diário de viagem.  Também podem vê-lo na seção “Luiz’s Stuff”, no link na barra direita do meu blog ou na minha homepage.

Wednesday, December 23, 2009

Block Island

Agora que terminei o doutorado, vou começar a colocar "posts" sobre coisas que aconteceram em 2009. 20090807_block_island_4548 Para comemorar nossos aniversários, Ines e eu fomos a Block Island no início de Agosto. Block island é uma ilha ao sul de Rhode Island (o estado onde fica Providence). Alguns amigos já nos tinham recomendado a ilha, e disseram que é ótima para se passear de bicicleta. Então fomos para Point Judith (a uma hora de Providence), e lá deixamos o carro e pegamos o "ferry" só com as nossa bicicletas. A ilha é um bocado cara, e uma noite em qualquer hotel no fim-de-semana custa mais de U$200. Minha mãe nos deu o dinheiro de aniversário, e então alugamos um quartinho de frente para o mar por uma noite. Para aproveitar, fomos ao nascer do sol (de Providence) no primeiro dia, e voltamos no pôr-do-sol do segundo dia. A ilha é bonitinha, com praias calmas (só vimos ondas no primeiro dia), falésias, e estradas com vista. Da para visitar todas as praias de bicicleta, e o passeio vale a pena. O mais interessante foi o banho de lama. Logo na primeira praia, há uma poça de lama no meio de uma subida, alimentada por uma pequena fonte d'água (a Ines diz que não era uma poça de lama, mas uma falésia de lama). Eu e a Ines vimos pessoas andando pela praia cobertas de lama, e depois de procurarmos achamos a fonte. A gente "mergulhou", e saímos cobertos de lama. O único ruim, é que como sempre, a água estava um gelo.


Fotos da Viagem para Block Island

Saturday, June 06, 2009

Doutora Ines

20090524_ines_phd_graduation_4294 Há duas semanas atrás foi a formatura aqui na Brown, e agora a Inês é oficialmente doutora!  A cerimônia foi num domingo, e bastante longa.  Primeiro houve uma "procissão", em que os formandos saem pelos portões principais da Brown University (eles só abrem 2 vezes por ano, uma para os novos alunos entrarem, outra para os formandos saírem), e depois desfilam pela universidade inteira.  Depois houve a cerimônia de entrega de diplomas, para todos os alunos de mestrado e doutorados da Universidade (os de bachalerados são separados - é muita gente), uma pausa para almoço, e finalmente uma cerimônia no departamento de física para celebrar os formandos do departamento.

Além da Ines, o Michael também se formou (ele é o "parceiro" de trabalho da Ines).  Outros colegas nossos também se formaram: o Daniel (física), que era brasileiro também - ele era o chefe dos brownzilians); o Ookie, que trouxe o cachorro (o Gustav), e a Marie-Laure, namorada do Carlos.  Como o sobrenome do Michael e da Ines começa com A, eles eram os primeiros - 1o e 4o lugar na fila. 

Eles tiveram que usar umas túnicas muito exageradas, parecia coisa de Harry Potter.  O mais legal eram os professores - cada um usava a túnica da universidade em que se formaram, então ficou muito colorido.

Clique na foto acima ou aqui para ver as fotos.

Eu também coloquei todas as fotos originais (nem todas estão no album acima) em um arquivo ZIP, caso alguém queira uma cópia.  Basta clicar aqui para baizar o arquivo.

Saturday, April 25, 2009

Doutora Ines

20090424_ines_thesis_defense_0107

Ines fez a defesa de tese de doutoramento ontem, e passou!  A palestra dela foi muito boa, apesar de que eu e vários dos nossos amigos não termos entendido nada.  Eu e o Carlos ainda conseguimos entender uma frase ou duas, mas a Marie-Laure e a Ana Catarina não devem ter entendido sequer uma palavra.  O trabalho dela é em Teoria de Cordas, também chamada de “teoria de tudo”, porque é a teoria que unifica todas as teorias da física e explica tudo – com certeza é a matéria mais avançada e mais difícil que existe.  E agora a “Doutora Ines” é reconhecida como uma especialista no assunto.  Estamos todos muito orgulhosos!

Sunday, November 09, 2008

Outono na Nova Inglaterra

20081102_Mount_Wachusetts_Foliage_Watch_052 Domingo passado, eu e a Ines fomos passear por Massachusetts, para ver as árvores mudando de cor com as estações.  Eu já moro na região da Nova Inglaterra há muito tempo - primeiro em Worcester, Massachusetts, e agora em Providence, Rhode Island.  É uma região muito fria no inverno, e extremamente quente e úmida no verão (ruim pela falta de praias boas), mas que fica muito bonita no outono, quando as folhas das árvores mudam de cor e fica tudo muito colorido: vermelho, laranja, amarelo, e um pouco de verde.  Para apreciar melhor a paisagem, a gente decidiu procurar um lugar alto de onde houvesse vista, e o lugar mais próximo era Mount Wachusetts, em Worcester.  Fomos para lá, e apesar do frio, foi uma caminhada fácil para subir o monte, de apenas uma hora.  O monte em si já estava um pouco "careca", mas a vista lá de cima foi ótima - dava até para ver Boston!  Mas acho que o melhor mesmo foi quando dirigimos para lá, quando passamos por uma variedade enorme de paisagens e de cores.

Tuesday, August 05, 2008

Cape Cod, 4 de Julho

img_3796 Eu e a Ines fomos passar o 4 de Julho (feriadão americano) acampando em Cape Cod, perto da praia.  Cape Cod é uma península em Massachusetts, famosa pelas praias (não que as praias sejam muito boas - as outras da região é que são péssimas).  A gente ficou em um parque de campismo a 5 minutos da praia de bicicleta, conectado por uma trilhazinha com areia.  Assim que chegamos fomos a praia, mas a água estava geladíssima.  Eu ainda tentei dar um mergulho, mas não deu pra ficar na água mais que uns poucos segundos.

Na primeira noite fomos a Provincetown, ver os fogos de artifício.  Provincetown é a cidade na ponta da península, e é conhecida por ser uma "party town", uma cidade divertida.  Isso é provavelmente devido ao fato que a grande maioria da cidade é de homens homosexuais.  A cidade estava cheia de casais gays - aliás, a maioria das pessoas na rua era de casais gays - heterosexuais pareciam ser de longe a minoria.  Ainda mais interessante era o fato da cidade estar toda enfeitada com bandeira portuguesas.  A Ines não consequiu explicar.  Eu perguntei se isso é o que dá quando portugueses vão para os Estados Unidos ("soltam a franga?"), mas ela não respondeu.

Os fogos foram legais, muito bem feitos.  Depois andamos pela rua principal da cidade, que é cheia de lojas e restaurantes, e todas cheias de gente.  Haviam algumas familías, algumas "drag queens", mas a maioria parecia ser de casais de homens, dominando a cidade completamente.

No sábado fomos andar por uma ciclovia perto de Provincetown que passa por umas praias, por morros e por uma floresta.  O dia estava nublado, e a primeira praia estava completamente enevoada, e não deu para aproveitarmos as praias.  Mas o passeio foi bom, até chegarmos a floresta, que estava cheia de mosquitos, e tivemos que pedalar a toda velocidade para evitar sermos picados por todo lado.  E isso mesmo com repelente, que um casal nos ofereceu quando chegamos lá.  pelo menos foi um bom exercício.

No sábado a noite fomos comer na cidade, e achamos um bom restaurante de mariscos longe da rua principal, porque a gente queria comer Clam Chowder, um caldo grosso de amêijoas (mariscos).  Comemos o clam chowder e um outro prato com carangueijo e outros mariscos, e estava tudo muito bom e relativamente barato (a cidade era um bocado cara em geral).

No último dia levantamos a tenda e fomos embora, mas paramos no caminho em uma praia em Wellfleet (ainda no Cape Cod), uma pequena península para dentro da baía de Cape Cod.
Nós caminhamos umas 2-3 horas para chegar ao fim.  A praia também estava cheia de mosquitos, mas estes eram enormes ("buzzards").  Felizmente cruzamos com uma guarda florestal bem no início, que nos mostrou que repelente pra mosquito também funcionava com esses monstrinhos.  Ainda assim eles ficaram a nos pertubar o caminho inteiro, e a gente tinha que botar mais repelente o tempo todo.  No fim, fiquei um pouco chateado que a praia estava cheia de gente - tinham vindo de barco!  A gente teve o trabalhão de andar até a ponta, e esse povo preguiçoso simplesmente vai de lancha pra lá...



Para verem as fotos, clique aqui ou na foto acima.

Tuesday, February 12, 2008

India

Eu e a Ines fomos viajar pela India. Voamos pra Delhi no dia 1 de Janeiro, e de lá viajamos de trem e de ônibus para Agra e pelo Rajastão, a terra dos Rajás, uma região no centro-noroeste da India. Visitamos por 8 cidades em 3 semanas:

  • Delhi, a capital da India;

  • Agra, onde fica o Taj Mahal (+ Fatehpur Sikri, a cidade real abandonada);

  • Jaipur, a Cidade Rosada, capital do Rajastão e centro comercial (+ Amber, com o maior palácio da região);

  • Pushkar, com o lago sagrado;

  • Udaipur, com o romântico Palácio do Lago;

  • Ranakpur, com os templos dos Jains;

  • Jodhpur, a Cidade Azul, com um fortaleza enorme no topo de um monte; e

  • Jaisalmer, a Cidade do Deserto, de onde fizemos um safari de camelos e passamos a noite nas dunas.


A viagem correu muito bem, mas é difífil dizer que foi ótima - sempre que nos perguntam como foi, a gente responde que foi "interessante", ou que foi muito "diferente". É porque apesar de todas as coisas bonitas e legais que vimos e fizemos, também foi uma viagem muito estressante de vez em quando.

Um dos problemas era o assédio constante por gente querendo dinheiro - pedintes, lojistas, guias, homem-santos... era difícil relaxar e conversar com alguém na rua, porque provavelmente queriam dinheiro. Por exemple, se estivessemos andando por um monumento e uma pessoa fosse simpática com a gente, nos apontasse algo pra ver ou recomendasse um lugar pra ir, era provavelmente alguém tentando pedir dinheiro ou tentando ganhar comissão para nos levar a algum lugar (até os "homem-santos" faziam isso!). Outro problema era a constante negociação de preços - de quartos, transporte, presentes, ... de tudo menos comida. Em nenhuma loja se podia perguntar o preço, porque para os lojistas isso era sinal que nós queriamos negociar. Em vários lugares (como no mercado em Jaipur) não era preciso nem falar nada, bastava olhar para alguma coisa que começava a negociação - a gente tinha que andar rápido, olhando pra frente, pra evitar isso. Finalmente, também tentaram nos enrolar frequentemente, daí mais uma razão para não poder relaxar. Eram motoristas que nos levavam para agências de viagens falsas, que diziam que nosso hotel tinha fechado para poder nos levar a outro lugar onde ele ganhava comissão, restaurantes com nomes semelhantes ao recomendado pelo guia, para poder lucrar com a fama do outro... chegou a um ponto que tinhamos que recusar ajuda e nunca dizer pra ninguém onde estávamos indo, e quando fossemos de motorista pra algum lugar, ficar uns 15 minutos olhando em volta pra tentar confirmar se estávamos no lugar certo...

Por outro lado, vimos muitas coisas bonitas, palácios, paisagens, cidades, comemos muita comida deliciosa, e fizemos muitas coisas interessantes. Enfim, não foram umas férias praia, em que se fica relaxando e aproveitando o tempo; foi uma aventura.

Nós tiramos mais de 1500 fotos, e infelizmente, ainda nao tive tempo de arrumá-las. Vou colocar umas aqui só por que estão me cobrando - se quiserem explicações, vão ter que falar comigo ou com a Ines. Nos próximos dias tento escrever alguma coisa sobre a viagem e sobre as nossa experiências. Eventualmente vou colocar um álbum e uma entrada no blog por cidade. Por enquando ficam estas "poucas" fotos.

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Wednesday, September 12, 2007

Praia em Portugal

Finalmente tenho tempo de escrever no blog mais um pouco. Estou tão cheio de trabalho que nem tive tempo de falar das férias ainda.

No fim de agosto, Eu e a Ines fomos a Portugal durante 2 semanas, passar férias. É a minha segunda vez em Portugal. A primeira viagem (dois anos atrás) foi "turismo histórico": vimos as cidades principais, os bairros históricos, castelos, igrejas, museus, etc... Desta vez foi "turismo moderno", que pra mim quer dizer praia. Passamos uma semana numa casa alugada em Tróia, uma península ao sul de Lisboa (pertinho de Setúbal), com muitas praias - começando em Tróia, são mais de 30km de praia sem interrupção ao sul, uma faixa contínua de areia branca com dunas atrás. A casa foi alugada pela mãe e avó da Ines, e ficamos lá os quatro. A casa não era muito grande, mas tinha 3 quartos, era muito bonita (muito bem "projetada"), e pertinho da praia, dentro de um complexo fechado. Durante a semana que estivemos em Tróia, viajamos um pouquinho também. Num dia que estava muito feio e nublado, fomos a Évora, jantar com o pai da Ines. Também fizemos 2 passeios ao litoral sul: Lagos e Porto Covo. Lagos é na costa sul, e é uma cidade bem "internacional"; quando saímos a noite (pra jantar e passear), haviam muito estrangeiros, principalmente ingleses, pra todo lado. A cidade era bonita e divertida a noite, mas eu gostei mesmo foi da beleza da Praia da Dona Ana, a mais famosa de lá. É uma praia no meio das falésias, entre os paredões, com água transparente e vistas espetaculares. Porto Covo também tinha praias similares, com falésias, águas transparentes, e praias escondidas, isoladas pelas falésias e com acesso somente pelo mar. Porto Covo era uma cidadizinha menor, mas muito bonitinha, com casas brancas de detalhes azuis. O ruim dessas praias era o frio - as águas eram geladíssimas, mesmo na costa sul. Era difícil aproveitar muito. Era muito, muito frio mesmo. O que é pena, porque as praias eram bonitas mesmo.

Nesta viagem também tive oportunidade de comer, pela primeira vez na vida, caracóis! Fomos a um bar em Setúbal especializado. Pelo visto é comum as pessoas comerem caracóis em Portugal, é uma coisa típica de se comer no verão, tomando um cerveja. Os bichinhos vinham inteiros, dava pra ver até o rosto (antenas, olhos) deles. Foi bem legal.

Para verem as fotos, clique aqui ou na foto acima.

Monday, August 20, 2007

Cataratas do Niágara

Mês passado, Eu e a Ines fomos para as Cataratas do Niágara. Saímos no dia do meu aniversário (numa quinta-feira), e ficamos até domingo. A viagem foi 8 horas de carro. As cataratas ficam na fronteira do Canadá com os Estados Unidos, logo acima do estado de New York. A melhor vista e atrações são do lado canadense, então é pra lá que nós fomos. Atravessar a fronteira na ida foi fácil, não demorou nem 5 minutos. Já na volta, foram 1 hora na fila de carros, mais uma hora e meia pra passar na imigração. Em volta da cachoeira há uma cidade turística, que parece ser feita exclusivamente de hotéis, restaurantes e lugares de entretenimento (casinos, cinemas, e outras atrações). De noite a cidade parecia uma Las Vegas, cheia de neons pra todo lado, era até difícil dirigir com tanta luz piscando na rua. Mas isso era mais pro centro, a área da cachoeira era menos urbanizada, com muitos jardins e pracinhas.

Pra economizar dinheiro, acampamos. Eu tenho uma barraca que comprei na Itália e que usamos pra viajar pela Córsica. A Ines achou um parque de campismo muito bom, o Jellystone - o parque do Zé Colméia! O local era bom, a uns 5 minutos das cataratas, e tinha uma van para levar turistas pras cataratas. A nossa área era na beira de de um rio, e tinha bastante árvores - deu até pra armar a rede que eu trouxe do Brasil. A Ines então adorou a rede. Todo dia a gente voltava pro campo na hora do almoço, comia, e a Ines desmaiava na rede. Era só encostar e ela dormia umas 3 horas. Mas da próxima vez que formos acampar, vou procurar um colchão inflável porque passar a noite no chão não foi tão comfortável.

As cataratas foram uma vista incrível. Pra mim, a melhor maneira de descrever é que parecia o fim do mundo, num sentido medieval. Sabem como na Idade Média se achava que a terra era plana, e que o mar terminava em algum ponto com nada adiante, com a água caindo pro nada? Era assim que parecia. A gente seguia o rio com os olhos, e de repente o chão desaparecia, tudo caía além da vista, com uma névoa gigante vindo do nada (no caso medieval, presumivelmente do inferno) e um trovão contínuo. Era uma cena espetacular. A força da água caindo era tanta que a água jorrava alta para cima e criava uma névoa que mantinha tudo a volta debaixo de chuva, mesmo quando fazia sol. Parecia uma fábrica de nuvens. A vista de perto também era muito legal, dava pra chegar bem pertinho - uns 2 ou 3 metros - da ponta da cachoeira principal. As cataratas, aliás, são 3: as "cataratas da ferradura", que formam um semi-circulo e fazem a vista que eu descrevi; as "cataratas americanas", que ficam nos Estados Unidos mas não tão interessante (talvez até seriam, se não estivessem sido comparadas com a da ferradura); e a "Véu de Noiva", uma cachoeira mais fina ao lado das americanas.

A gente comprou um pacote de passeios pra fazer. Os dois principais eram o "Maid of the Mist" e o "Journey Behind the Falls", que fizemos na sexta-feira. O "Maid of the Mist" (Dama da Névoa) é um barco que leva os turistas bem perto da cachoeira. Ele passa em frente as cataratas americanas, e entra no circulo das cataratas da ferradura, no meio da névoa. A gente fica completamente molhado. Felizmente, a companhia distribui "ponchos" plásticos que cobrem o corpo todo, então as roupas ficam bem secas. O "Journey Behind the Falls" (Jornada Atrás das Cataratas) é um passeio que leva a um túnel cavado por trás das cataratas. O túnel mesmo não é tão interessante, porque ele é estreito, e não tem vista nenhuma - a cachoeira cai logo a frente da boca do túnel, não dá pra ver nada. Mas o passeio passa por um terraço bem ao lado da cachoeira, e a vista de lá é ótima - a gente chega ainda mais perto do que do barco.

Depois dos passeios, voltamos pro acampamento, almoçamos, cochilamos na rede (a Ines mal deitou e desmaiou...), e no fim da tarde voltamos pra cidade. O motorista da van nos contou que havia um equilibrista que fazia apresentações ao ar livre todo dia as 8, e nos sugeriu um restaurante bem em baixo do fio, o Coco's. O jantar foi ótimo, com vista do equilibrista e música ao vivo. O equilibrista era supostamente um dos mais respeitados do mundo, com 61 anos de idade.

No sábado fizemos os passeios extras do pacote: uma caminhada ao longo das corredeiras e um passeio ao jardim das borboletas. As corredeiras são uns poucos quilômetros depois (rio abaixo) das cataratas, e são consideradas umas das mais perigosas do mundo, com muitas pedras e ondas. As corredeiras terminam na "Whirlpool" - o "redemoinho" - uma baía tangente ao rio onde há um redemoinho contínuo. O jardim das borboletas é uma estufa, cheia de borboletas. Uma pousou no meu ombro e andou comigo uma meia-hora, até que a Inês achou que ela tinha morrido lá, e resolvemos espantá-la pra ver se estava viva mesmo. Apesar delas pousarem facilmente nas pessoas, elas não pareciam gostar da Inês, e se recusavam a pousar nela. Quando estávamos indo embora, uma finalmente pousou na cabeça dela, dando uma boa foto :)

Para verem as fotos, cliquem aqui ou nas fotos acima.

Sunday, April 29, 2007

Salsa em Boston e Mina em Minnesota

 Sexta-feira a noite, eu e a Ines fomos ao clube de salsa Havana, em Boston. A gente foi com a Ana (outra portuguesa), o Eric (namorado da Ana, em Providence de visita) e a Sabrina (nossa amiga das aulas de salsa). Foi bem legal, o DJ era ótimo - a seleção de músicas era bem melhor do nos clubes em Providence, principalmente porque tocavam só salsa, com 2 músicas de merengue e 2 de bachata de vez em quando. Havia um fotógrafo tirando fotos das pessoas pra página do clube - peguei esta foto lá. Eu e a Ines estavamos dançando merengue, mas parecia mais forró do que merengue: estávamos pondo em prática o que aprendemos com mamãe e Zé Rubem no Brasil... :)

Amanhã vou pra Minnesota, passar uma semana trabalhando na mina do Soudan (fica perto de Duluth / Lago Superior). Eu ia hoje, mas o avião teve problemas técnicos, e só vou poder voar amanhã. A mina é usada como um laboratório subterrâneo, e nós temos um detector lá, usado para testar equipamento que vai ser usado no XENON para radioatividade. Vamos fazer um "upgrade", e tirar um módulo de dentro do "shield" de chumbo. Isso quer dizer que vou passar a semana carregando tijolos de chumbo... :(
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Monday, April 23, 2007

Washington, DC

 Agora que as coisas estão um pouco mais relaxadas com o fim da conferência da APS, posso falar da viagem que fiz mês passado. No fim de abril, Eu e a Inês viajamos para Washington DC para passar o fim-de-semana lá. Apesar da quantidade de trabalho para fazer para a APS, era feriado ("Spring Break") e pareceu uma boa época pra ir. Aliás, era a época perfeita. O tempo estava ótimo no dia que saímos (dia 30, sexta-feira), muito sol, calor, e era início da primavera. A viagem foi de carro, 7-8 horas de Providence pra Washington. Felizmente, ainda tinha Sol quando chegamos, e deu pra aproveitar o fim do dia lá. Encontramos com o Michael ("housemate" da Inês) de noite - ele estava voltando de viagem de Kentucky (mais ao Sul), e ele passou o fim de semana com a gente.
Só nos demos conta que era começo da primavera no caminho, e estávamos torcendo para encontrar uma cidade florida - e encontramos! Nossa ida coincidiu, por pura sorte, com o "Cherry Spring Blossom", um período de 2 semanas por ano quando as árvores de cereja dão flor. Elas estão concentradas em volta de uma baiazinha perto do Monumento a Washington (o obelisco), mas estao espalhadas pelo "Mall" também (o Mall é uma área aberta, com gramados, com os monumentos e museus principais).
No sábado vimos a Casa Branca, caminhamos pelo Mall, vimos os monumentos principais (de Lincoln, de Washington, das Guerras do Vietnam, da Coréia e da 2a Guerra Mundial). Estava tendo uma competição de pipas, e o Mall estava cheio de gente e pipas de todo tipo. Andamos até o Congresso, mas não pudemos entrar, já estava tarde quando chegamos lá. Então fomos a Biblioteca Nacional do Congresso, que é muito famosa pelo tamanho do acervo. Ainda passamos pela frente da Corte Suprema, mas era muito tarde (as 5!) e já estava tudo fechado e as ruas vazias, e resolvemos ir jantar em Georgetown, a área mais moderna da cidade.
No domingo só tivemos tempo de ver o National Air and Space Museum (Museu Nacional Aéro-espacial?), que tem vários veículos famosos. Por exemplo, eles tinham o Apolo 11, o módulo que foi e voltou da lua! Eles tinham aviões, jatos, naves, foguetes, satélites... o lugar era enorme, para poder acomodar tudo. Algumas coisas, como o módulo de comando do Apolo 11, eram os originais; outras coisas, como a estação espacial SkyLab, era "backup", a estação que seria usada caso algo acontecesse com a principal. Todas as coisas da coleção eram assim - ou o original, ou o backup - quer dizer, era tudo autêntico. A gente ficou lá umas 3-4 horas! Como já estava ficando tarde quando saímos do museu, resolvemos voltar logo pra Providence, já que a viagem era longa...

Para ver as fotos, clique aqui ou na foto acima.


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